Organizações da sociedade civil guineense denunciam tentativas de adulteração dos resultados nas Comissões Regionais de Eleições, em Oio, Cacheu e Tombali, alegadamente a favor do Presidente cessante Sissoco Embaló.
Enquanto isso, o país está em suspense após os dois candidatos favoritos reclamarem vitória, o que aumenta o receio de conflito pós-eleitoral.Em entrevista à DW, o sociólogo guineense Armando Correia alerta que há riscos do país entrar em violência pós-eleitoral. "Há uma preocupação alta de ponto de vista da aceitação dos resultados. Estas foram uma das eleições mais renhidas desde 1994, e há um aumento da vigilância do processo eleitoral".
De acordo com a Frente Popular e o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, forças de segurança armadas foram enviadas para algumas Comissões Regionais de Eleições com a "missão de intimidar e expulsar representantes dos candidatos presidenciais" e facilitar a viciação dos resultados eleitorais.
O grupo estranha "o silêncio da Comissão Nacional de Eleições (CNE)", a quem apela para que assuma a responsabilidade de defender a integridade do processo eleitoral.
No entanto, na segunda-feira, 24, em conferência de imprensa, em Bissau, o porta-voz da candidatura de Umaro Sissoco Embaló afirmou que a eleição "correu muito bem" para o Presidente cessante, que procura um segundo mandato.
Óscar Barbosa garantiu que não haverá segunda volta. Aos apoiantes da candidatura pediu serenidade e respeito pelo processo eleitoral.
Também o candidato independente apoiado pelo PAIGC Fernando Diasjá se declarou vencedor do escrutínio logo na primeira volta.
O anúncio dos resultados oficiais poderá ser feito até quinta-feira, 27, pela CNE.
País em suspense
Enquanto isso, o país está em suspense após os dois candidatos favoritos reclamarem vitória, o que aumenta o receio de conflito pós-eleitoral.
Em entrevista à DW, o sociólogo guineense Armando Correia alerta que há riscos do país entrar em violência pós-eleitoral. "Há uma preocupação alta de ponto de vista da aceitação dos resultados. Estas foram uma das eleições mais renhidas desde 1994, e há um aumento da vigilância do processo eleitoral".
Diante deste suspense, alguns cidadãos guineenses apelam à calma até à proclamação dos resultados oficiais. "Estou esperançoso neste momento. Sempre sonhámos com uma Guiné-Bissau pacífica, cheia de amor e harmonia. Peço aos meus irmãos guineenses que mantenham a calma. Porque, aconteça o que acontecer, será para o bem de todos os guineenses", apela o professor Caldito da Silva.
Demba Seydi, por sua vez, lembra que a votação decorreu num ambiente de tranquilidade e espera que o mesmo aconteça após a proclamação dos resultados. "Que Deus proteja o nosso país e que tudo termine pacificamente. Que o vencedor seja felicitado para que as atividades possam recomeçar normalmente."
Unidade e um futuro melhor é o que espera também a vendedora Lena De Pina: "Rezo para que tenhamos um bom presidente que desenvolva este país, alguém que cuide de todos nós."
A imprensa guineense reporta que nas regiões de Tombali e Bolama Bijagós a população saiu às ruas na noite desta segunda-feira, para contestar a suposta tentativa de fraude eleitoral.
Esta terça-feira, em conferência de imprensa, em Bissau, as missões de observação da União Africana (UA), da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) farão a avaliação das eleições de 23 de novembro.
A Semana com DW África







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