Victória Diouf, guineense radicada em Londres (Inglaterra), defende a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau: "Na minha perpetiva, com Fernando Dias, sinto que vai haver realmente uma reposição da ordem sendo ele Presidente, [de modo a] anular todos os decretos baixados pelo ex-Presidente e assaltante do poder Umaro Sissoco Embaló, porque o país está num abismo total."
A campanha eleitoral nos países da Europa onde vivem comunidades guineenses termina esta sexta-feira, centrada na caça ao voto nas eleições legislativas e presidenciais de domingo (23.11).
Em Portugal, predominam dois grupos: os que apoiam a reeleição de Umaro Sissoco Embaló e os que, por outro lado, aspiram a uma vitória de Fernando Dias, apoiado pela coligação PAI-Terra Ranka e a Aliança Patriótica Inclusiva (API) Cabas Garandi, afastadas da corrida eleitoral.
Os outros dos 12 candidatos às eleições presidenciais saem praticamente ofuscados, não sendo visível qualquer ação de rua ao longo destas duas semanas. A DW acompanhou alguns momentos da campanha eleitoral em Lisboa e ouviu a expetativa de guineenses que aspiram mudança ou continuidade.
"Quero que Sissoco continue"
Jenabu Dabó Baldé, em Portugal há 20 anos, alinhou nesta campanha pela reeleição de Umaro Sissoco Embaló: "Eu estou orgulhoso do trabalho de Umaro Sissoco. Ele está a trabalhar, está a melhorar a Guiné-Bissau, porque desde que nasci nunca vi a Guiné como agora. A Guiné-Bissau está bem organizada; está a fazer vias públicas, não tínhamos água potável. Está a mudar muitas coisas."
Com vestes a exibir a foto do candidato presidencial Sissoco Embaló, esta guineense engrossa o leque de mulheres que, na Amadora (periferia de Lisboa), apareceram para dar voz ao apelo pelo voto útil nas eleições do próximo domingo.
"Quero que Sissoco continue por mais cinco anos, como uma pessoa que pode dirigir a Guiné-Bissau. Porque o PAIGC não presta. Só gasta dinheiro à toa sem [fazer] nada. Não é assim. As pessoas estão fartas do PAIGC por causa disso", diz.

Apoiantes de Umaro Sissocco Embaló na Amadora, periferia de LisboaFoto: João Carlos/DW
Nos cartazes com a imagem de Sissoco Embaló aparece ao lado o luso-guineense José Baldé, cabeça de lista nas eleições legislativas pela Plataforma Republicana Nô Kumpu Guiné, em representação da diáspora na Europa.
O candidato efetivo, que já esteve em França e Espanha, tem um programa com objetivos diversos visando a comunidade guineense. "Temos problemáticas de pessoas nossas oriundas da Guiné-Bissau que vivem nos bairros muitos degradados a nível da Europa. Temos que ver [a situação] dessas pessoas, saber quais são os seus problemas efetivos. Se nós conseguirmos ganhar, pela primeira vez, vamos tentar organizar um Gabinete do Deputado em Portugal, Espanha e França”, afirma.
Fernando Dias "para repor ordem"
No Vale da Amoreira, freguesia do concelho da Moita, na margem sul do Tejo, juntam-se os apoiantes do candidato presidencial Fernando Dias, repartidos por militantes do PAIGC e do PRS.
Victória Diouf, guineense radicada em Londres (Inglaterra), defende a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau: "Na minha perpetiva, com Fernando Dias, sinto que vai haver realmente uma reposição da ordem sendo ele Presidente, [de modo a] anular todos os decretos baixados pelo ex-Presidente e assaltante do poder Umaro Sissoco Embaló, porque o país está num abismo total."
Victória, que vota domingo em Londres, recorre à Constituição para argumentar que Sissoco Embaló não reúne requisitos para ser Presidente da Guiné-Bissau.
Contra a divisão étnica que pode influenciar as tendências de voto, Abu Moreira, diretor de campanha do candidato independente Fernando Dias, sustenta uma mensagem de unidade em torno de uma possível vitória.
"Com a vitória de Fernando Dias da Costa vamos unir todos os guineenses para trabalhar pelo desenvolvimento do nosso país. A divisão vai acabar. Imagina, estamos cá os fulas, balantas, manjacos, papel, todos estamos aqui misturados para mostrar que somos unidos", diz.
Críticas à parcialidade da justiça
Sobre estas eleições, o analista guineense Luís Vicente critica a postura parcial do sistema de justiça assim como a utilização dos bens e recursos do Estado na campanha eleitoral. Apesar disso, o gestor acredita que o povo guineense não irá desistir.
"Quero apelar a todos para que votem com consciência, com coragem, e escolham o candidato e o projeto que verdadeiramente inspirem confiança e esperança num futuro melhor", concluiu.
A Semana com DW África








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