segunda-feira, 15 junho 2026

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Eleições na Guiné-Bissau: Presidenciais ofuscam legislativas

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Na campanha eleitoral na Guiné-Bissau, os debates concentram-se sobretudo em torno das presidenciais. Sobre as legislativas não se fala tanto e isso tem uma razão muito simples, afirma analista: "O Presidente pode tudo".

 

Para estas oitavas eleições legislativas na história democrática da Guiné-Bissau, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) excluiu várias formações políticas, incluindo a Plataforma da Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka), vencedora do último escrutínio, com a maioria absoluta, em 2023.

 

 As eleições são simultâneas, legislativas e presidenciais, mas o foco dos candidatos e eleitores está a ser a corrida à Presidência da República.

Além da Plataforma Republicana Nô Kumpu Guiné, que agrupa partidos e personalidades que apoiam o chefe de Estado cessante, Umaro Sissoco Embaló, nenhuma outra formação política tem aparecido regularmente para apelar ao voto nas legislativas.

Treze partidos e uma coligação concorrem à Assembleia Nacional Popular (ANP), mas a sua aparição tem sido fraca, "abafada" por fortes movimentações à volta das presidenciais.

Para estas oitavas eleições legislativas na história democrática da Guiné-Bissau, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) excluiu várias formações políticas, incluindo a Plataforma da Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka), vencedora do último escrutínio, com a maioria absoluta, em 2023.

Eleições atípicas

O candidato presidencial João Bernardo Vieira critica a exclusão das candidaturas para o ato eleitoral e defende que as atenções devem ser viradas para a eleição de Presidente da República, porque as legislativas deixam de ter sentido.

"São eleições atípicas e não é normal vermos isto. Portanto, perante esta realidade, acredito que temos de nos concentrar nas [eleições] presidenciais", diz.

Também Fernando Dias, candidato independente às eleições presidenciais, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), coloca as legislativas em segundo plano, admitindo que, se for eleito, vai restaurar o Parlamento dissolvido por Umaro Sissoco Embaló, em 2023, ato considerado "ilegal" por vários juristas.

"Se o Parlamento nasceu de um vício muito grave que é o da inexistência, é preciso dissolvê-lo? É um nado morto", critica.

"O Presidente pode tudo"

Já o jornalista Fernando Jorge Pereira encontra outra razão para o maior interesse dos candidatos nas eleições presidenciais: "O Presidente [da República] pode tudo em África, e a Guiné-Bissau é um exemplo concreto disso. Muitas vezes, o Presidente tem o aval dos seus pares [chefes de Estado homólogos].

"Os próprios organismos da sub-região que monitorizam a transparência das eleições também costumam compactuar com atos do Presidente. Portanto, não me admira que eles [candidatos] tenham apostado mais nas presidenciais por essas razões", acrescenta.

A poucos dias das quartas eleições gerais, os candidatos continuam em campanha eleitoral, marcada por ataques entre as candidaturas de Umaro Sissoco Embaló e Fernando Dias.

Enquanto o Presidente que busca a reeleição não poupa nas críticas às personalidades que apoiam Dias, este, por sua vez, tem lançado ataques contra Embaló, que raras vezes lhe responde.

Sobre o clima que se pode esperar após as eleições, o jornalista Fernando Jorge Pereira afirma que não se pode prever nada ainda: "O cenário pode não ser tão pacífico. Há muitos sinais de tensão, com oficiais da alta patente [militar] detidos, discursos com acusações de tentativas de golpe de Estado, ameaças de detenção de figuras políticas das forças rivais... isso cria uma expetativa de um cenário em que tudo é possível".

 

A Semana com DW África

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