segunda-feira, 15 junho 2026

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Dois favoritos dominam corrida presidencial na Guiné-Bissau

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Eleições na Guiné-Bissau colocam Sissoco Embaló e Fernando Dias frente a frente numa disputa marcada por críticas e promessas de estabilidade. Conheça os perfis dos dois candidatos.

 

As eleições deste domingo acontecem num contexto de forte polarização, instabilidade institucional prolongada e expectativas elevadas. O próximo Presidente enfrentará o desafio de restabelecer a confiança nas instituições e responder ao desejo de estabilidade expresso pela maioria dos guineenses.

Mais de 966 mil eleitores guineenses vão às urnas este domingo, 23 de novembro, para eleger o próximo Presidente da República. Ao todo, 12 candidatos estão na corrida, mas dois concentram as atenções: o chefe de Estado cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o jurista Fernando Dias, apoiado pelo PAIGC. Ambos apresentam trajetórias políticas distintas e propostas divergentes para o futuro do país.

Umaro Sissoco Embaló: o militar que tenta a reeleição

Aos 53 anos, Umaro Sissoco Embaló procura renovar o mandato e tornar-se o segundo Presidente guineense a completar cinco anos no cargo. Militar de carreira e hoje general na reserva, lidera a coligação Plataforma Republicana Nô Kumpu Guiné, criada por sua iniciativa.

No lançamento do manifesto eleitoral, Sissoco destacou como prioridade a realização das primeiras eleições autárquicas da história do país:
"Décadas de uma democracia sem poder local autárquico legitimado pelo voto direto dos cidadãos não dignificaram a Guiné-Bissau. Estamos a realizar a oitava eleição legislativa, porém sem termos realizado uma só eleição autárquica”, disse.

A sua entrada na governação ocorreu em 2016, quando assumiu o cargo de primeiro-ministro. Demitiu-se no ano seguinte e,em 2019, venceu a segunda volta das presidenciais. Tomou posse ainda com um contencioso eleitoral por resolver, mas o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a vitória meses depois. 

Durante o mandato, Sissoco enfrentou sucessivos conflitos com governos saídos das eleições e formou três executivos de iniciativa presidencial, decisões contestadas por ambiguidades constitucionais. O período ficou marcado por acusações de violações de direitos humanos, repressão e restrições ao direito de manifestação. Paralelamente, destacou-se pela agenda externa carregada e por afirmar manter relações privilegiadas com figuras internacionais.

Apesar das críticas, pede continuidade:
"A Guiné-Bissau era caracterizada por instituições políticas fracas e golpes de Estado. Hoje estamos a consolidar as instituições, o Estado de direito democrático e a coesão social. Reformas no setor das infraestruturas renovaram completamente Bissau, antes triste e decadente”, afirmou.

A oposição discorda. O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, acusa Sissoco de instrumentalizar o Estado:
"A gestão pública converteu-se num espaço de clientelismo e impunidade. Os recursos do Estado são utilizados para satisfazer interesses privados, comprar lealdades e financiar luxos pessoais. A corrupção tornou-se um modo de governo e o medo um instrumento político”, disse. 

Fernando Dias: o jurista que se apresenta como alternativa

Do outro lado da disputa, Fernando Dias, de 47 anos, apresenta-se como "a esperança” para uma Guiné-Bissau estável e inclusiva. Inicialmente candidato independente apoiado pela coligação API – Cabas Garandi, recebeu posteriormente o apoio do PAIGC, que colocou a sua estrutura eleitoral ao seu serviço.

No seu manifesto, defende uma liderança firme baseada na reconciliação e no equilíbrio institucional:
"Apresento-me ao meu povo como a esperança e com uma visão de uma Guiné-Bissau independente, unida e inclusiva. Garantir a independência e a perfeita coabitação entre Assembleia, Presidência, Governo e tribunais”, afirmou.

Dias iniciou a carreira no PRS, passando por vários cargos de relevo: vice-presidente do Parlamento, diretor-geral do Conselho Nacional de Carregadores e ministro da Administração Territorial em 2020, nomeado por Sissoco. A relação política entre ambos deteriorou-se, levando-o a recusar integrar um novo governo presidencial após a queda do Parlamento em 2022.

Direitos humanos no centro do debate eleitoral

A sociedade civil também toma posição. O coordenador da Rede dos Defensores dos Direitos Humanos, Vitorino Indeque, alerta para a responsabilidade de quem vier a assumir a Presidência:
"Para quem quer ser presidente, a responsabilidade é garantir um ambiente de unidade. Quando uma pessoa está no poder, deve criar condições para que o exercício de direitos seja uma realidade. Aconselho os candidatos a terem os direitos humanos na sua agenda”, afirmou.

As eleições deste domingo acontecem num contexto de forte polarização, instabilidade institucional prolongada e expectativas elevadas. O próximo Presidente enfrentará o desafio de restabelecer a confiança nas instituições e responder ao desejo de estabilidade expresso pela maioria dos guineenses. 

 

A Semana com DW África

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