segunda-feira, 15 junho 2026

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Bissau/Campanha eleitoral: Candidatos exigem neutralidade das Forças Armadas

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A cinco dias das eleições na Guiné-Bissau, cresce a polémica sobre o papel das Forças Armadas. Candidatos acusam militares de favorecer Sissoco Embaló, enquanto sociedade civil alerta para riscos à imparcialidade.

 

 

"É triste ver esta encenação dos militares em reuniões com anciãos. O que era previsto ser um encontro institucional transformou-se numa reunião com candidatos da Plataforma Republicana, que apoia Umaro Sissoco Embaló. Queremos pedir ao Estado-Maior que nos deixe fazer política», critica Siga Baptista.

A cinco dias para o encerramento da campanha eleitoral na Guiné-Bissau, volta a ser questionado o papel das Forças Armadas nas eleições gerais do próximo domingo (23.11). Os rivais de Umaro Sissoco Embaló na corrida à Presidência acusam os militares de apoiarem a candidatura do chefe de Estado cessante. Este fim de semana, o chefe das Forças Armadas esteve em contacto com populares para esclarecer o caso.

Não é comum, em plena campanha, ver o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadasdescer ao terreno para garantir que não apoia qualquer candidatura presidencial. Biaguê Na N'tam, numa espécie de comício popular na vila de Nhoma, arredores de Bissau, lembrou ter jurado respeitar a Constituição e garantir a paz no país.

"Quando fui nomeado Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, disse na altura que a Guiné-Bissau viveu momentos de instabilidade, com golpes e mais golpes, mas garanti que iria respeitar a Constituição da República, organizar as Forças Armadas e formar os seus quadros", afirmou Na N'tam.

Durante o encontro com anciãos, e rodeado de alguns deputados, o chefe militar rejeitou acusações de que o Estado-Maior teria inventado uma tentativa de golpe de Estado para prender oficiais de uma determinada etnia.

Oposição condena postura dos militares

A oposição não ficou convencida. Siga Baptista, candidato presidencial, criticou o evento: "É triste ver esta encenação dos militares em reuniões com anciãos. O que era previsto ser um encontro institucional transformou-se numa reunião com candidatos da Plataforma Republicana, que apoia Umaro Sissoco Embaló. Queremos pedir ao Estado-Maior que nos deixe fazer política."

No domingo, Sissoco apareceu com uma camisola da sua campanha e gravou um vídeo no Dia das Forças Armadas, ladeado por duas altas patentes militares.

"Estamos em campanha eleitoral, mas continuo a ser o Comandante Supremo das Forças Armadas", disse. "Quero felicitar as nossas forças pelo trabalho republicano que têm feito. Ao meu lado direito está o Chefe do Estado-Maior do Exército e à esquerda o Chefe do Estado-Maior Particular do Presidente, que me têm acompanhado em todos os lugares nesta campanha."

Ao contrário dos outros candidatos, Embaló é o único que surge rodeado de dezenas de militares armados em campanha.

Sociedade civil alerta para manipulação

A sociedade civil também reagiu. Para o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, a atitude do chefe militar "não passa de uma encenação manipuladora".

As organizações repudiam as interferências políticas do general, responsabilizando-o pelos efeitos dos seus atos e alertando: "O povo guineense não permitirá, em circunstância alguma, que a vontade soberana seja sequestrada nas eleições."

Belita Almeida, membro da sociedade civil, disse à DW que esta situação é grave. "Segundo a nossa Constituição, os militares não deveriam imiscuir-se na política. Contudo, não só têm garantido a sua presença em ações políticas, como também têm feito apelos ao voto em determinado candidato. Num Estado de Direito, isto não pode ser visto com bons olhos."

Para Belita, esta postura compromete a instituição. "São sinais claros de que parte da cúpula dirigente pode não estar a agir de forma coerente com o princípio da imparcialidade", concluiu.

Candidatos prometem mudanças

Entre os candidatos, há promessas de mudança. Baciro Djá garantiu que, se for eleito, o seu primeiro decreto será para exonerar Biaguê Na N'tam.

Todos os concorrentes são unânimes: exigem que as Forças Armadas se mantenham afastadas do jogo político.

 

A Semana com DW África

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