Campanha eleitoral na Guiné-Bissau está a ser marcada por acusações e ataques mútuos. Dominam os discursos dos principais candidatos e dos seus apoiantes as questões étnicas, algo repudiado por analistas ouvidos pela DW.
"Eu estava à espera de outra coisa, não de ataques e palavrões. Isso não interessa ao guineense, que quer apenas linguagens que vão acalmar os ânimos", diz Victorino Indeque. "Se tivéssemos políticos que pensam o país, estaríamos a falar de outras coisas, e não da instabilidade e de separação."
A Guiné-Bissau vota este mês em duas eleições, as legislativas e as presidenciais, mas o foco dos eleitores guineenses e dos próprios candidatos, durante a campanha, tem sido sobretudo a corrida à Presidência da República.
Há 12 candidatos ao mais alto cargo do Estado da Guiné-Bissau, que arrastam multidões todos os dias, sobretudo Umaro Sissoco Embaló, que procura a reeleição, e Fernando Dias, candidato independente apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Sissoco Embaló tem lembrado que fez muito pelo país: "Já não temos nada a provar aos guineenses. Já há dinheiro para fazermos a segunda vida da Guiné-Bissau. E vão entregar o país a alguém que não tem destino?", questionou.
Fernando Dias, por sua vez, deixou a promessa de garantir a unidade nacional, "defender a liberdade e igualdade dos cidadãos e da imprensa nacional e internacional acreditada no país, e garantir a transparência na gestão da coisa pública."
Povo pede harmonia e paz
Dias é da etnia Balanta e Sissoco Embaló é Fula, as duas mais numerosas do país. Vários apoiantes de ambas as candidaturas têm apelado ao voto em função da pertença étnica dos concorrentes.
Por outro lado, Embaló e Dias lançaram, esta semana, ataques mútuos sobre quem esteve na origem ou participou nos assassinatos políticos que tiveram lugar em diferentes momentos da história da Guiné-Bissau. Mais uma vez, as etnias de ambos foram envolvidas na polémica.
Nas ruas de Bissau, cidadãos ouvidos pela DW pediram uma mudança de discurso: "Apelo aos políticos que compreendam que, neste momento, o que nós, povo, estamos à espera deles não é o discurso de Balanta, Fula, Mandinga ou Manjaca. O que nós precisamos é do programa eleitoral", afirmou um estudante.
"Eles [políticos] devem usar palavras de motivação e da paz. Não palavras de ofensa", defendeu outro entrevistado.
À DW, o coordenador da Rede dos Defensores dos Direitos Humanos (RDDH), Victorino Indeque, faz um balanço "muito negativo" do que tem ouvido na campanha eleitoral.
"Eu estava à espera de outra coisa, não de ataques e palavrões. Isso não interessa ao guineense, que quer apenas linguagens que vão acalmar os ânimos", diz Indeque. "Se tivéssemos políticos que pensam o país, estaríamos a falar de outras coisas, e não da instabilidade e de separação."
Em campanha pelo interior do país, os candidatos José Mário Vaz, ex-chefe de Estado, e Baciro Djá, ex-primeiro-ministro, têm repudiado os discursos étnicos. Mário Vaz fez apelos cirúrgicos às Forças Armadas para se afastarem do jogo político e de envolvimento no processo eleitoral em curso.
As oitavas eleições legislativas e sétimas presidenciais na história democrática da Guiné-Bissau realizam-se no próximo dia 23 de novembro.
A Semana com DW África







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