segunda-feira, 15 junho 2026

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Guiné-Bissau: "A salvação não virá da União Europeia"

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há 16 horas

Sumaila Jaló denuncia eleições de fachada na Guiné-Bissau e alerta: «Não se combate ditadura nas urnas». Critica dependência da União Europeia e apela à mobilização popular para travar a consolidação do regime.

Guiné-Bissau prepara-se para eleições a 23 de novembro, mas para o ativista guineense Sumaila Jaló este ato eleitoral é apenas "fachada" para legitimar um regime autoritário. Em entrevista exclusiva à DW, Jaló recorda que sempre alertou: "É quase impossível combater o regime por via das urnas". Para o ativista, a exclusão das principais coligações da oposição confirma que o país vive "a consolidação de uma ditadura".

 "Desde 2020, Umaro Sissoco Embaló rasgou a Constituição e destruiu as instituições democráticas. Tudo está ao serviço do autoritarismo", acusa Jaló, referindo-se à tomada de posse unilateral do Presidente guineense, em fevereiro de 2020.

 Segundo o ativista, a oposição falhou ao apostar em "conferências de imprensa e apelos ao diálogo" ignorando que o regime "já demonstrou total desrespeito pelas leis".

 "Estamos a caminhar para eleições condicionadas em todas as linhas. Depois disso, a Constituição será rompida", alerta, citando declarações recentes do secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Macedo, que afirmou que Embaló poderá permanecer no poder "até quando lhe apetecer".

 Para Jaló, está em jogo "o futuro da democracia na Guiné-Bissau" apelando, por isso, à mobilização popular e à pressão internacional para travar o que considera "um projeto de ditadura renovada para os próximos cinco anos".

Guinea-Bissau: Sumaila Djalo
"Não se combate ditadura nas urnas"Foto: DW/B. Darame

"A salvação não virá da União Europeia"

O ativista rejeita a ideia de que a comunidade internacional possa resolver a crise política. "Ontem vimos João Bernardo Vieira escrever à União Europeia a pedir uma missão robusta para salvar as eleições. Mas acreditar que parceiros internacionais vão remover esta ditadura é um erro de leitura", afirma Jaló.

Segundo ele, a França, que influencia a União Europeia, tem interesses estratégicos na África Ocidental e mantém cumplicidades com Embaló. Jaló acusa também Portugal de ter “respaldado ditaduras socialistas” no passado, questionando a neutralidade da CPLP.

"Não serão estas organizações nem as instituições capturadas pelo regime — Supremo Tribunal, CNE, Assembleia Nacional Popular — que garantirão eleições transparentes. A salvação será sempre pela mobilização popular, pacífica, mas firme, para defender as instituições democráticas", sublinha.

Jaló alerta que o processo eleitoral já está comprometido: os cadernos foram atualizados sem fiscalização da oposição e a impressão dos boletins, antes assegurada pela União Europeia, passou para o controlo do governo. Para ele, isso abre caminho para “fraudes massivas".

"Cada dia que adiamos a mobilização, consolidamos a ditadura. Não é convite à violência, é reação legítima contra a destruição das instituições", conclui.

A Semana com DW África 

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