domingo, 21 junho 2026

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Papa aponta "fracasso coletivo" de haver milhões de pessoas com fome

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O Papa Leão XIV considerou hoje que permitir que milhões de pessoas em todo o mundo sofram de fome é "um fracasso coletivo", ao abrir os eventos do Dia Mundial da Alimentação, em Roma.

 

Leão XIV manifestou a sua gratidão pelos projetos que a FAO implementa em todo o mundo para melhorar a agricultura e a nutrição, mas alertou que a erradicação da fome, prevista para 2030 nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, "só será possível se houver vontade real".

 

"Numa altura em que a ciência aumentou a esperança de vida, a tecnologia aproximou os continentes e o conhecimento abriu horizontes antes inimagináveis, permitir que milhões de seres humanos vivam e morram de fome é um fracasso coletivo, uma aberração ética, uma culpa histórica", afirmou na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O pontífice norte-americano viajou esta manhã do Vaticano para a sede da FAO para participar nas cerimónias do Dia Mundial da Alimentação, ao lado de outros chefes de Estado.

No seu longo discurso, proferido em espanhol e inglês, disse ser "extremamente triste" que, atualmente, segundo dados desta agência especializada da ONU, existam 673 milhões de pessoas no planeta, incluindo muitas crianças, que "vão para a cama sem comer".

"Isto não é uma coincidência, mas um sinal claro de uma insensibilidade predominante, de uma economia sem alma, de um modelo de desenvolvimento questionável e de um sistema de distribuição de recursos injusto e insustentável", apontou.

Leão XIV manifestou a sua gratidão pelos projetos que a FAO implementa em todo o mundo para melhorar a agricultura e a nutrição, mas alertou que a erradicação da fome, prevista para 2030 nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, "só será possível se houver vontade real".

"Não nos podemos limitar a proclamar valores. Devemos incorporá-los. Os 'slogans' não nos tiram da miséria" porque os números da fome "não são meras estatísticas", sublinhou.

O Papa lembrou que "por detrás de cada um destes números, há uma vida interrompida, uma comunidade vulnerável, há mães que não conseguem alimentar os seus filhos".

Mas "talvez a estatística mais comovente seja a das crianças que sofrem de subnutrição, com as doenças resultantes e o atraso no crescimento motor e cognitivo", acrescentou.

Por outro lado, Leão XIV recordou aqueles que estão "condenados à morte e à adversidade" em países e territórios em guerra ou em conflito, como a Ucrânia, Gaza, Haiti, Afeganistão, Mali, República Centro-Africana, Iémen e Sudão do Sul, onde "a pobreza se tornou a ordem do dia".

A este propósito, Leão XIV sustentou que os numerosos conflitos atuais "levaram a um ressurgimento do uso da comida como arma de guerra", criticando a indiferença com que o mundo hoje encara os conflitos.

"Contemplando o atual panorama global, tão doloroso e devastador pelos conflitos que o afligem, parece que nos tornámos testemunhas apáticas de uma violência dilacerante, quando, na realidade, as tragédias humanitárias conhecidas por todos nos deveriam impelir-nos a ser artesãos da paz", concluiu.

 

A Semana com Notícias ao Minuto/Lusa

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