sábado, 11 julho 2026

Repressão em Bissau:Nova detenção do líder do PAIGC gera indignação dentro e fora da Guiné-Bissau

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Depois de o líder do PAIGC e presidente do parlamento deposto da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira ser novamente conduzido na manhã desta sexta-feira 10 de Julho, por ordem do Juiz de Instrução Criminal, Mamadu Embalo, no âmbito de uma investigação sobre o seu alegado envolvimento numa tentativa de golpe, as reacções não se fizeram esperar tanto dentro do país como no exterior.  O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil, uma plataforma que junta mais de 50 organizações, e a Liga Guineense dos Direitos Humanos acusaram hoje a CEDEAO de "passividade" e "cumplicidade" face ao que qualificam de "degradação das instituições democráticas" no país. Neste sentido, enquanto o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil exige que o bloco oeste-africano abandone a "postura de complacência" e aplique os seus protocolos sobre democracia e direitos humanos, defendendo, sem ambiguidades, a ordem constitucional guineense, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, apela à mobilização cívica da população e da diáspora, insistindo igualmente sobre a necessidade de os restantes parceiros internacionais, as Nações Unidas, União Africana, a CPLP e a União Europeia, a acompanharem a situação com urgência. DIPLOMATA PORTUGESA ANA GOMES APELA A CPLP Á  ACÇÃO:   No mesmo sentido, em declarações à RFI, a diplomata e antiga eurodeputada portuguesa Ana Gomes, que tem estado muito atenta à situação da Guiné-Bissau, reagiu a estes últimos acontecimentos "com indignação, embora não esteja surpreendida". "Há dias que se vinha a dizer que isto estava em preparação. Corresponde a ordens dadas por pelo ditador supostamente deposto Sissoco Embalo e dadas através -tudo indica- de familiares seus, designadamente o juiz que determina a ordem de prisão. A actual clique no poder que foi deixada por Sissoco Embalo e que preparava o seu regresso, está a gostar de estar no poder e, no fundo, para isso vai cumprindo algumas das ordens de Sissoco Embalo que tem um ódio de estimação a Domingos Simões Pereira", comenta. "Isto acontece nas vésperas da Cimeira da CPLP", observa responsável política. "Eu espero que a CPLP exista e determine sanções individuais a esses indivíduos que estão directamente ligados a esta ordem de prisão e que sejam individualmente sancionados com bens arrestados e eventualmente presos a qualquer tentativa de entrada em Portugal ou a qualquer outro país da Europa. Penso que é muito importante pedir ao Parlamento Europeu que justamente se mobilize para que estas sanções individuais sejam decretadas. E isto não impede, desde logo, as autoridades de qualquer país como Portugal, de prender estes energúmenos que são, como sabemos, infelizmente, também elementos de uma cadeia ligada ao branqueamento de capitais para narcotraficantes", declara Ana Gomes. "Infelizmente, tanto os governos africanos como os da CEDEAO ou que têm os seus próprios jogos internos com governos europeus, como é o caso do português, do francês e também espanhol, no fundo, eles importam-se pouco com o povo da Guiné-Bissau que é quem continua a pagar as favas da falta de governação, do desmando, da pobreza, etc. Espero que esta situação da prisão de Domingos Simões Pereira, apesar de tudo, seja um toque de rebate para que eles façam o que devem fazer, de acordo com os princípios e valores que dizem defender e que estão exactamente nos actos fundacionais quer da CPLP, quer da CEDEAO", remata a diplomata. EURODEPUTA PORTUGUESA MARTA TEMIDO DENUNCIA ATROPELOS AO ESTADO DE DIREITO: Também atenta à situação da Guiné-Bissau, a eurodeputada portuguesa Marta Temido publicou nas redes sociais ontem, quinta-feira 9 de Julho, uma mensagem antevendo a detenção de Domingos Simões Pereira. "Nas últimas horas, tem corrido a informação de que, na Guiné-Bissau, o Tribunal Militar se prepara para decretar, novamente, a prisão do presidente da assembleia nacional popular, presidente do PAIGC e coordenador da plataforma aliança inclusiva PAI Terra Ranka, Domingos Simōes Pereira", começou por dizer. "A comunidade internacional segue atenta mais este processo em que estão em causa o julgamento de um civil por um tribunal militar e outros atropelos ao estado de direito. Só pela via da responsabilização individual será possível travar o declínio democrático em que o país cada vez mais se afunda", acrescentou a responsável política ao declarar a sua "solidariedade a todo o povo da Guiné-Bissau". DSP ACUSADO DE ENVOLVIMENTO EM ALEGADO PROJECTO DE GOLPE: Recorde-se que Domingos Simões Pereira foi conduzido esta manhã às celas da Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública (POP), em Bissau, para aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva. O líder do principal partido de oposição da Guiné-Bissau foi detido aquando da desestabilização militar de 26 de Novembro de 2025 e foi mantido na prisão até finais do passado mês de Janeiro. A seguir, regressou a casa com Termo de Identidade e Residência, mas impossibilitado de se movimentar. Entretanto, no passado mês de Junho, soube-se que Simões Pereira é suspeito de participar numa alegada tentativa de golpe de Estado em Outubro de 2025, ou seja um mês antes da desestabilização militar de Novembro do ano passado. A Semana com RFI

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Opiniões e Feedback

Miranda
19 days 6 hours

Boa iniciativa essa da reedição de Lexico de Armando Napoleão Fernandes, de S.Catarina. Avante com o trabalho e força ...

jmn
21 days 16 hours

Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal ...

Terra
25 days 20 hours

A nossa terra a muito que fazer sobre descriminação sobre essas matérias os nossos políticos estão a usar memórias d ...

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