domingo, 05 julho 2026

Mundial:Cabo Verde foi a Miami mostrar que um erro probabilístico pode ser tão gigante como os maiores do mundo. E quem não vai dormir é Rui Costa

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Acabou. O sonho cabo-verdiano chegou ao fim, mas ficou uma das mais belas histórias deste Mundial 2026. Esta madrugada(sexta-feira, 04 de junho), uma nação de 500 mil habitantes provou que pode ser tão gigante como a atual campeã do mundo e todo-poderosa Argentina. Esta terá ainda sido uma noite agridoce e, provavelmente, de pouco sono para outro nome conhecido dos portugueses: Rui Costa. Porque esta madrugada, percebemos o que é que o departamento de scouting do Benfica viu. Lembram-se de Lopes Cabral, que voltou a ser Sidny Cabral, pois bem, marcou o golo deste Campeonato do Mundo com um remate em arco perfeito do flanco esquerdo que só parou no ângulo direito Emiliano Martínez, que ainda voou em vão. Veja e reveja e veja mais uma vez o vídeo que se segue.     Contudo, o Benfica optou por vender o lateral/extremo-esquerdo antes deste Campeonato do Mundo ao Trabzonspor, a troco de uns meros sete milhões de euros. O futuro do cabo-verdiano de águia ao peito acabou no fatídico dia do arrufo entre Prestianni e Vinícius — que acabou por virar lei —, quando Sidny pediu a camisola ao brasileiro no final do jogo. O gesto não caiu bem entre os adeptos e a direção encarnada, mas talvez o gesto técnico frente à Argentina tenha caído ainda pior.   Os tubarões azuis caíram frente à campeã mundial Argentina, uma das duas seleções — a par de França — a apresentar melhor futebol na competição. Mas caíram de pé e, contra todas as previsões, por largos minutos, os tubarões azuis fizeram a albiceleste tremer, dando motivos aos resistentes para continuarem a ficar acordados durante a madrugada para ver 22 homens e uma bola em movimento. Para a história, ficam os empates com a Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, a passagem aos 16 avos de final na estreia num Campeonato do Mundo e uma exibição magnífica, impressionante, enorme e esplendorosa frente à Argentina de Messi. Os tubarões azuis acreditaram até ao minuto 120 e nunca estiveram com uma desvantagem superior a um golo.     O feito é ainda maior quando se tem em conta que Cabo Verde tem pouco mais do que 500 mil habitantes, é o segundo país mais pequeno deste Mundial, apenas atrás de Curaçau. Cabo Verde é um erro probabilístico, mas foi capaz de juntar todos os países de língua portuguesa em prol de uma ambição: ver os tubarões azuis triunfarem.   A hora cabo-verdiana chegou mesmo, apresentaram-se ao mundo, Vozinha virou um sucesso nas redes sociais — durante este jogo, ganhou mais meio milhão de seguidores no Instagram — e o mundo vibrou com Jovane, Sidny e os amigos. Dito isto, aplica-se um dos slogans cabo-verdianos: no stress com esta eliminação, porque são as dores do crescimento e apenas caíram aos pés de uma das melhores seleções argentinas de sempre. Messi voltou a ser o farol albiceleste e, ao minuto 15, voltou a fazer o que faz melhor: após um belo passe de Lisandro Martínez do meio da defesa argentina para as costas da linha defensiva de Cabo Verde, surge Messi com uma magistral receção e um remate rápido sem dar qualquer chance a Vozinha.     Contudo, o que salvou Buenos Aires do colapso acabaram por ser os cantos e os centrais Lisandro Martínez e Romero, que fizeram o 2-1 e o 3-2, numa altura em que meio mundo puxava por Cabo Verde.         O MELHOR: Aos 39 anos, Messi continua a fazer o que muito poucos conseguem. A capacidade de jogar em espaços curtos, as receções perfeitas, como se tivesse a bota coberta de melaço, mas o mais impressionante da noite foi mesmo o golo de Sidny Cabral.  O PIOR: Tem um sabor amargo ver uma seleção que tanto lutou, como fez Cabo Verde, ser eliminada por golos de canto. O pior deste jogo tem obrigatoriamente de ser o posicionamento defensivo nos cantos dos jogadores cabo-verdianos.   Messi e o festejos caboverdianos após o golo de Sidny Cabral (AP). O MOMENTO: O momento do jogo é inevitavelmente a obra de arte de Sidny Cabral, mas, para evitar repetições, daremos esta nomeação ao golo de Romero. O central subiu a um canto ao minuto 111, marcou e salvou a Argentina de um possível desastre reputacional e de uma eliminação precoce.  A SURPESA: A surpresa deste jogo é a surpresa deste Mundial: a seleção cabo-verdiana. De outsider passaram a underdog e transformaram-se na segunda seleção preferida de metade do planeta. E tudo isto porque lutaram, tiveram garra, jogaram o jogo pelo jogo sem recurso exagerado ao autocarro defensivo e conquistaram um lugar especial na história deste Mundial 2026 e do futebol. Para fechar, fica um dos comentários de Óscar Botelho, antigo membro da equipa técnica da seleção de Cabo Verde, na transmissão da TVI, que define bem aquilo por que todos nós nos apaixonámos: "Jogam muito e dançam bem", constatou o também comentador da CNN Portugal. A Semana com CNN Portugal

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Opiniões e Feedback

Miranda
13 days 8 hours

Boa iniciativa essa da reedição de Lexico de Armando Napoleão Fernandes, de S.Catarina. Avante com o trabalho e força ...

jmn
15 days 17 hours

Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal ...

Terra
19 days 21 hours

A nossa terra a muito que fazer sobre descriminação sobre essas matérias os nossos políticos estão a usar memórias d ...

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