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Tensão nos Correios: Denuncias de alegado golpe de gestão por ingressos e promoções ilegais- AT-CCV pede revogação da medida
O clima é de tensão entre os trabalhadores dos Correios de Cabo Verde, que denunciam alegado golpe de gestão pelo atual Conselho de Administração presidido por Isidoro Gomes. Em causa está a Ordem de Serviço nº 04/06/CA/CCV/2026 e atos conexos de ingresso e reclassificação do pessoal alegadamente ilegal e instransparente com impacto financeiro gravoso para a empresa. A Associação dos Trabalhadores já pediu a revogação da medida. « A Associação dos Trabalhadores dos Correios de Cabo Verde (AT-CCV) já anunciou que não vai tolerar este assalto à legalidade. Com uma estratégia montada em três frentes de luta — reclamação administrativa interna exigindo a revogação da Ordem de Serviço, exposição formal ao Ministério da tutela e uma providência cautelar judicial no Tribunal Administrativo —, o coletivo de trabalhadores promete paralisar a execução deste PCCS eivado de vícios», lê-se numa nota remetida no dia 23 de junho ao Conselho da Administração da Empresa que o ASemanaonline teve acesso. Conforme uma fonte deste jornal, os Correios de Cabo Verde (CCV), tida uma das instituições públicas mais históricas e estratégicas do país, enfrentam aquela que poderá ser a crise de gestão mais profunda da sua história recente. « Numa autêntica corrida contra o tempo, e em pleno período de transição institucional, a administração cessante — composta por Isidoro Gomes, Paulo Ferreira e Enilce Fernandes — operou um autêntico ‘golpe de gestão’ que viola os mais elementares preceitos legais e éticos, comprometendo irremediavelmente o futuro orçamental da empresa». Entende que o culminar desta estratégia de favorecimento ocorreu na passada terça-feira, 23 de junho de 2026, com a aprovação alegdamente clandestina de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). «Sem qualquer discussão prévia com a Associação de Trabalhadores (AT-CCV), sem apresentação formal ao coletivo de funcionários e à margem das obrigações legais de negociação, o documento foi aprovado à porta fechada por administradores destituídos de legitimidade política e ética para hipotecar o futuro da organização». A mesmam fonte considera que a administração cessante utilizou o instrumento para integrar nos quadros permanentes centenas de novos funcionários que entraram recentemente na empresa através de "convites" e "comissariados partidários", contornando por completo a obrigatoriedade de concurso público externo. Fundamenta que estes novos integrados, na sua esmagadora maioria, não possuem qualquer qualificação postal, nunca foram submetidos aos ciclos obrigatórios de avaliação de desempenho e não cumprem os requisitos profissionais mínimos exigidos pelos instrumentos de gestão dos CCV. Critica que, num «cenário de absoluto escândalo», assiste-se à entrada de funcionários que, sem um único dia de trabalho efetivo, são catapultados diretamente para o topo das carreiras. «A irresponsabilidade desta administração atinge contornos de gestão danosa ao fixar aumentos salariais na ordem dos 143% para comissariados partidários, com o agravante de lhes conferir efeitos retroativos a janeiro de 2026.O caso mais paradigmático e grave é o do colaborador Alécio Tavares Furtado e do filho de Toty Koya, dirigente do MpD na Praia, Paulo Alves», acrescenta. Para a fonte deste jornal, um outro caso é «um comissário contratado diretamente, sem concurso como Técnico Superior C1 com o astronómico salário de 124.713$00». O referido funcionário ainda não iniciou funções efetivas e não tem quaisquer tarefas ou objetivos definidos. «Apesar de se encontrar numa situação de ociosidade remunerada, beneficiou já de um aumento imediato de 3%, fixando o seu vencimento nuns pornográficos 128.566$00, sem nunca trabalhar», denuncia, sublinado que, enquanto isso, técnicos séniores com décadas de serviço operacional recebem 45.000$00 e são ultrapassados e humilhados na tabela salarial. «Caberá agora à tutela governamental e às instâncias competentes agir com máxima urgência para travar este descalabro de Isidoro Gomes, Paulo Ferreira e Enilce Fernandes, antes que empurre, em definitivo, os Correios de Cabo Verde para a bancarrota», conclui a fonte bem bem informada deste jornal na empresa.
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