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Irão: petróleo cai com acordo de Trump e Pezeshkian para acabar com a guerra
Preços do crude recuam ainda mais na quinta-feira, depois de EUA e Irão assinarem formalmente um memorando de entendimento para acabar com a guerra e reabrir o estreito de Ormuz, enquanto as bolsas reagem de forma mista à mais recente decisão da Reserva Federal. O preço do petróleo recuou de forma acentuada nas primeiras horas de negociação, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, terem assinado um acordo inicial para travar as hostilidades, medida que deverá restabelecer o fluxo de crude pelo Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do mundo. À hora a que este texto foi escrito, na manhã de quinta‑feira, o contrato de primeira posição do WTI, referência norte‑americana, descia 2,3%, para 75 dólares o barril, enquanto o Brent, referência internacional, recuava 2%, para cerca de 78 dólares o barril. Ambas as referências permanecem acima dos cerca de 70 dólares registados antes do conflito, mas estão agora muito abaixo dos picos superiores a 100 dólares atingidos há apenas algumas semanas. O acordo prevê um período de 60 dias para as duas partes negociarem um entendimento final sobre o programa nuclear iraniano, com Teerão a comprometer‑se, entretanto, a diluir o seu stock de urânio altamente enriquecido. Crucial para os mercados de energia, levantam‑se as sanções apoiadas pelos EUA, o que permite ao Irão retomar livremente as vendas de petróleo e abre caminho para que os petroleiros voltem a escoar crude do Golfo Pérsico. Donald Trump afirmou que o estreito estará totalmente aberto até sexta‑feira e funcionará sem taxas de passagem, compromisso que levou os investidores a apostarem num alívio das pressões do lado da oferta. Após assinar o memorando de entendimento, Trump declarou, gesticulando: “Petróleo em baixa, ações em alta”. Mercado petrolífero continua a funcionar com reservas esgotadas O otimismo surge num contexto tenso. No relatório sobre o mercado petrolífero de junho, a Agência Internacional de Energia indicou que as reservas estratégicas de petróleo nas economias avançadas caíram para o nível mais baixo desde 1990, com as reservas públicas nos países da OCDE a encolherem em 163 milhões de barris desde o início do conflito, devido à aceleração das libertações de emergência. A agência reviu também em baixa as perspetivas para a procura global, que agora espera que recue até 2026, penalizada pelos preços elevados dos combustíveis e pelas perturbações na oferta, antes de recuperar no próximo ano. Advertiu ainda que qualquer recuperação da oferta poderá ser gradual, citando o lento processo de desminagem e as perturbações persistentes nas rotas marítimas, mesmo com o acordo intercalar em vigor. Os fluxos no Estreito de Ormuz já tinham começado a recuperar, passando de um mínimo em maio para cerca de 12 milhões de barris por dia no início de junho. Bolsas divergem após Fed sinalizar possíveis subidas de juros As ações deram um sinal mais desigual após as perdas de quarta‑feira em Wall Street, onde o S&P 500 recuou 1,2% depois de novas projeções da Reserva Federal (Fed) mostrarem que quase metade dos responsáveis espera pelo menos uma subida das taxas de juro este ano. O Dow Jones Industrial Average desvalorizou 1% e o Nasdaq Composite caiu 1,3%. Na primeira conferência de imprensa como presidente da Fed, Kevin Warsh recusou‑se a antecipar o nível das taxas no final do ano e sinalizou uma reflexão sobre a forma como o banco central comunica, retirando do comunicado as habituais indicações sobre a orientação futura da política monetária. Donald Trump, que durante muito tempo pressionou o antecessor de Warsh a cortar juros, mostrou‑se invulgarmente descontraído com o desfecho. “Está bem. Tanto faz”, disse Trump aos jornalistas em França, à margem da cimeira do G7. Questionado sobre a perspetiva de uma subida, afirmou ser “difícil de acreditar”, mas, com Warsh no cargo, disse estar “orientado pelo que ele quiser”. Os futuros das ações norte‑americanas apontavam para cima na manhã de quinta‑feira, com os contratos sobre o S&P 500 a subirem 0,9% e os do Nasdaq Composite cerca de 1,4% acima. Na Ásia, o Nikkei 225 de Tóquio e o Kospi da Coreia do Sul avançaram ambos 2,3%, impulsionados pela expectativa de fim da guerra no Irão e pela forte procura por ações tecnológicas. Na Europa, a negociação foi mais contida, com o Euro Stoxx 50 a ganhar 1%, enquanto o mais amplo Stoxx 600, pan‑europeu, seguia estável. O FTSE 100 do Reino Unido, o DAX 30 da Alemanha, o FTSE MIB de Itália, o IBEX 35 de Espanha, o AEX dos Países Baixos e o CH20 da Suíça negociavam todos entre 0,4% e 0,8% acima do fecho de quarta‑feira. O CAC 40 francês liderava os ganhos, com uma subida de cerca de 1,3%. A Semana com Euronews
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