Em conferência de imprensa, o PAICV denuncia com muita preocupação dois acontecimentos extremamente graves que estão a ocorrer às vésperas das eleições deste domingo: distribuiçao de cestas básicas e abertura neste sábado de três agências da Caixa Económica de Cabo Verde (CECV) na Praia. O Secretário-geral adverte que tais atos« configuram uma séria ameaça à transparência do processo democrático e à credibilidade das instituições da República».
Diante de tudo isto, o PAICV exige atuação rápida, firme e transparente da CNE, da Procuradoria Geral da República, das autoridades policiais e de todas as entidades responsáveis pela fiscalização da legalidade democrática
Segundo Vladmir Ferreira, multiplicam-se denúncias e imagens de filas de cidadãos recebendo cestas básicas na loja Fenícia, no Palmarejo, havendo informações de que a mesma prática poderá estar a ocorrer noutros locais do país.« Em pleno período eleitoral, ninguém pode ignorar a gravidade destes factos nem o potencial uso da pobreza e da vulnerabilidade das pessoas para fins de condicionamento político e eleitoral».
Para o político, é absolutamente inaceitável e inexplicável que a Caixa Económica de Cabo Verde esteja aberta num sábado, na véspera das eleições, a realizar depósitos e levantamentos. «O país tem o direito de saber: quem ordenou a abertura? Com que fundamento? Ao serviço de que interesses?», questionou.
Segendo ele, o silêncio das autoridades perante estes factos é preocupante e pode ser interpretado como cumplicidade. «Não basta assistir. É obrigação das instituições competentes agir imediatamente, investigar, esclarecer e responsabilizar todos os envolvidos. Qualquer hesitação ou tentativa de normalizar estes acontecimentos colocará sob suspeita a independência e a seriedade das instituições do Estado, que são o garante da nossa democracia», acrescenta.
«Estamos perante sinais claros e perigosos de um Estado totalmente aparelhado, mobilizado numa lógica do ‘custe o que custar’, onde instituições públicas e recursos são colocados ao serviço de objetivos partidários», adverte.
Diante de tudo isto, o PAICV exige atuação rápida, firme e transparente da CNE, da Procuradoria Geral da República, das autoridades policiais e de todas as entidades responsáveis pela fiscalização da legalidade democrática. «Cabo Verde não pode permitir em silêncio que a democracia seja atacada dessa maneira.O povo cabo-verdiano merece eleições livres, limpas e justas. E ninguém está acima da lei», defende o Secretário- do PAICV.
Direcção da CECV reage
Em comunicado publicado na sua página de Facebook, a Caixa Económica de Cabo Verde eslcarece que aos sábados, habitualmente, estão abertas ao público as agências do Micro Crédito na Fazenda, da Assomada e do Mindelo.
«No Sábado passado, dia 09 de Maio, na sequência da suspensão da prestação do serviço da Western Union pelo Ecobank e seus subagentes, tivemos procura extraordinária na agência do Micro crédito, o que nos obrigou a abrir, adicionalmente de urgência a Agência principal da Fazenda.As duas agências tiveram de funcionar até as 16:00 horas, muito além horário habitual.Durante toda a semana tivemos uma enchente extraordinária na Agência Sede. Por esta razão, a Caixa decidiu abrir, para este sábado 16, mais duas agências na cidade da Praia (Palmarejo e Achada Santo António UCLA), com o único objectivo de satisfazer esta procura de serviço», conclui o comunicado em reação às denúncias do PAICV que descorda da justificação dada.







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