A cimeira franco-africana 'Africa Forward' continua hoje em Nairobi, neste que é o seu segundo e último dia. Depois do anúncio nesta segunda-feira de 23 mil milhões de Euros investimentos para o continente africano, o Presidente do país anfitrião, William Ruto, deu um teor mais político ao encontro. Ao denunciar as desigualdades diplomáticas e financeiras de que África sofre a nível mundial, ele pediu que a "voz" do continente seja tida em conta, nomeadamente no Conselho de Segurança da ONU.
"A África não pede privilégios, mas justiça. Não se justifica que um continente com cerca de 1,6 bilhões de pessoas" e "54 estados soberanos (...) permaneça excluído de uma representação permanente no Conselho de Segurança da ONU". Isto "mina a legitimidade" e "mina a credibilidade do sistema multilateral", foi o que disse nesta terça-feira William Ruto na presença de cerca de trinta chefes de Estado e de governo africanos e dezenas de empresários de todos os horizontes.
A França deseja ver "a África presente no Conselho de Segurança das Nações Unidas", mas também que esteja "melhor representada nas instâncias financeiras", respondeu Emmanuel Macron.
Ontem, depois de ambos os Presidentes terem insistido sobre o facto de África "precisar de investimentos" em vez de ajuda pública, Macron anunciou 23 mil milhões de Euros de investimentos para África, dos quais 14 mil milhões de investimentos franceses, principalmente privados.
"Hoje, graças à vossa mobilização e ao que foi feito, são 23 bilhões de euros de investimentos anunciados para o continente africano. Esses 23 bilhões de euros, são 14 bilhões de euros de empresas francesas, grandes grupos, pequenas e médias empresas e que irão criar mais de 250 mil empregos directos em França e África. E ao lado disso, são nove bilhões de euros de investimentos de empresários e investidores africanos, em África, que se mobilizaram. É inédito", disse o chefe de Estado francês.
Testemunho também da nova tonalidade que pretende dar à relação entre a França e o continente, Macron convidou o seu homólogo queniano a participar em Junho na cimeira do G7 em França, país que actualmente assegura a presidência rotativa do bloco dos países mais industrializados. O objectivo é avançar no projecto comum de reformar a arquitectura financeira internacional no sentido de favorecer melhor o investimento privado em África.
"A África não faz parte dos problemas mundiais. A África é parte da solução", disse o Presidente queniano que hoje criticou o sistema financeiro internacional que "permanece estruturalmente desigual", o que a seu ver "desencoraja" os investimentos no continente.
A Semana com RFI







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