quarta-feira, 08 julho 2026

União Europeia deve preparar-se para redução da presença dos EUA – comissário

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O comissário europeu de Defesa defendeu que a UE deve preparar-se para a redução da presença militar dos Estados Unidos, mas frisou que a saída da NATO não é um cenário base, apesar das “declarações imprevisíveis” do Presidente norte-americano.

Em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom), Andrius Kubilius foi questionado se a União Europeia (UE) tem algum plano de contingência preparado caso o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decida sair da NATO.

Sem responder diretamente à pergunta, o comissário frisou que a UE “já teve tempo para preparar-se” ao estilo de Donald Trump, que considerou consistir em “declarações imprevisíveis”. 

“Às vezes, ele consegue tirar benefícios dessas declarações ou decisões imprevisíveis. Mas, outras vezes, isso cria muita confusão e mal-entendidos e nós precisamos de estar preparados para isso, como por exemplo no caso da Gronelândia”, afirmou.

No entanto, Andrius Kubilius frisou que, apesar desses comentários imprevisíveis, os Estados Unidos têm estruturas estabelecidas na Europa e documentos estratégicos importantes sobre o estado do mundo e os interesses norte-americanos “que são racionais”.

“Eu consigo ver a racionalidade e a análise que eles fazem, sobre o que está em causa e porque é que querem tornar-se numa força secundária na Europa”, referiu, frisando que também tem tido conversas com responsáveis norte-americanos, como o Subsecretário da Guerra, Elbridge Colby, que lhe têm explicado como é que os Estados Unidos “estão a avaliar os desafios geopolíticos” e porque é que tencionam focar-se mais na região do Indo-Pacífico.

“E estão a pedir-nos para assumirmos a responsabilidade no continente europeu. E eu não tenho nada a argumentar contra isso. A pergunta, aliás, é: porque é que nós não deveríamos assumir essa responsabilidade? É difícil explicar. É preciso reconhecer que, até agora, nós não investimos o suficiente”, afirmou.

Neste contexto, Kubilius defendeu que a UE precisa de “aumentar as suas capacidades” a nível de Defesa, até para conseguir “evitar algum tipo de desenvolvimento caótico na diminuição, pelos americanos, de alguns recursos que os europeus ainda não conseguem substituir”.

“Essa é a minha prioridade clara”, garantiu.

Questionado se os Estados Unidos só irão reduzir a sua presença na Europa mas não sair da NATO, Kubilius respondeu: “Esse é o meu cenário básico”.

“Mas a imprevisibilidade tornou-se normal, portanto, nunca se sabe”, ressalvou.

A Semana com Inforpress/Lusa

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