domingo, 14 junho 2026

Parlamento: PAICV acusa Governo de fugir ao balanço e falhar promessas no fim da legislatura

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O líder parlamentar do PAICV (oposição), Clóvis Silva, acusou hoje o Governo de evitar o escrutínio parlamentar e de falhar promessas, defendendo que o fim da legislatura expõe fragilidades na execução e ausência de resultados concretos.

Numa declaração política proferida no parlamento, Clóvis Silva começou por manifestar solidariedade ao povo cubano, destacando o apoio histórico dos profissionais de saúde de Cuba a Cabo Verde e apelando ao respeito pela autodeterminação daquele país.

Entrando no balanço da legislatura, o líder parlamentar considerou que o Governo, liderado pelo Movimento para a Democracia (MpD), falhou na concretização dos compromissos assumidos ao longo dos últimos dez anos, apesar de ter beneficiado de maioria absoluta e de condições políticas e financeiras favoráveis.

Clóvis Silva criticou ainda o que classificou como “fuga sistemática” do Governo ao Parlamento, apontando a não realização de debates com ministros e com o primeiro-ministro em Março, por falta de indicação por parte do grupo parlamentar do MpD.

“Mais vale não vir do que vir e não ter nada de concreto para apresentar”, declarou, associando esta postura à proximidade das eleições legislativas e à necessidade de o Governo "evitar prestar contas" sobre a sua execução.

O deputado questionou o facto de, nos últimos meses, não terem sido realizados debates regulares, sublinhando que tal situação “nunca aconteceu antes nos últimos 10 anos”, e associou essa postura à proximidade das eleições legislativas.

No plano social e económico, o parlamentar enumerou vários problemas que, segundo disse, afectam o país, nomeadamente dificuldades nos transportes, com impacto na distribuição de bens essenciais como o gás butano, fragilidades no sistema de saúde e desafios na segurança.

“O país enfrenta graves problemas nos transportes, dificuldades no sistema de saúde e insegurança”, afirmou, apontando ainda falta de consumíveis hospitalares, problemas no fornecimento de oxigénio e desigualdades no acesso a serviços de saúde entre as ilhas.

Clóvis Silva criticou também a execução de obras públicas, que considerou mal planeadas e de baixa qualidade, e acusou o Governo de estar mais preocupado com interesses partidários do que com as necessidades da população.

Segundo disse, o executivo falhou também em áreas estruturantes como a redução da pobreza, afirmando que “o maior monumento desta nação é o bem-estar do nosso povo”, e não obras simbólicas.

O líder parlamentar acusou ainda o Governo de recorrer a inaugurações em período pré-eleitoral para influenciar a opinião pública, referindo casos como o Campus da Justiça e infraestruturas aeroportuárias.

Para o PAICV, o fim da legislatura deveria ser um momento de prestação de contas, com apresentação de resultados concretos em áreas como saúde, emprego e combate à pobreza, o que, segundo Clóvis Silva, não aconteceu.

“O PAICV está e sempre esteve pronto para o debate”, afirmou, garantindo que o partido se apresenta como alternativa de governação e que o Governo pode evitar o confronto político no parlamento, mas não escapará ao julgamento popular.

 

A Semana com Inforpress

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