O novo disco da cantora cabo-verdiana Elida Almeida, intitulado “Spedju”, (em português espelho) saiu esta sexta-feira,13. O tema "Auto-Golo" que faz parte do referido disco já pode ser ouvida nas plataformas de 'streaming', e vem acompanhada de videoclipe.
Segundo a produtora da cantora, Harmonia, num comunicado enviado enviado ao Asemanaonline, o novo álbum nasceu durante a gestação da artista.
“Enquanto gerava um filho, Elida Almeida gerava também este disco, num processo paralelo de criação, transformação e revelação”, disse a produtora.
Segundo explicou a mesma fonte, o novo disco, “Spedju”, afirma-se como um espelho íntimo e simbólico que reflete, simultaneamente, a relação da Elida Almeida com a recente maternidade e o tempo de gestação, não apenas de uma vida, mas também de uma obra artística.
Sublinhou ainda que o espelho surge como companheiro real e metafórico, testemunha silenciosa das mudanças do corpo, das inquietações do futuro, das incógnitas e dos receios assumidos. «Spedju» é um olhar profundo para dentro, um atravessar dos reflexos no tempo, onde a artista se permite ver e mostrar, sem filtros».
O tema "Auto-Golo" , que conta no novo álbum, aborda, segundo revelou a produtora, um relacionamento marcado pelo amor, pela cumplicidade e, sobretudo, pelo impacto destrutivo do orgulho.
O tema usa a metáfora do futebol para retratar como decisões impulsivas e falhas emocionais acabam por prejudicar ambos os lados, transformando o amor num jogo empatado, onde ninguém vence.
“Com a sensibilidade e franqueza habitual, Elida Almeida canta a dor de um afastamento construído por erros mútuos e silêncios, refletindo sobre perdas que poderiam ter sido evitadas”, apontou.
Fazem ainda parte do álbum, temas como, “Dôdu”; “Funa Ku Nana”; “Mentira”; “Nka Ta Pasa”; “Fidju Pididu”; “Daddy”; “Kunbosa”; “Baca Brabu”; “Cancer”; “Somam”; “N Ka ta kai más”; e “Nunpasu”.
Conforme o comunicado, o tema “Dôdu” encoraja o autoconhecimento livre de padrões e julgamentos, convidando ao exercício de ser exatamente quem se é.
O tema “Funa Ku Nana” apresenta-se como um funakous que exprime a origem do género funaná, evocando o percurso histórico marcado pela escravatura que levou às composições de protesto que serviam de alento à dor coletiva.
Em “Mentira”, um dueto há muito desejado com Grace Évora, desenha-se um retrato do quotidiano conjugal, num diálogo intenso entre um casal, onde acusações mútuas revelam os desencontros e fragilidades da relação.
Segundo contou a Harmonia, o álbum é maioritariamente de autoria de Elida Almeida, com exceção de “Kumbosa” e “Baka Brabu”, temas que a transporta ao aconchego das memórias da infância, reafirmando a ligação às raízes e à herança cultural.
Acrescentou ainda que ao lo longo do disco surgem aspetos da sua vivência pessoal e dos desafios da convivência. O tema “Daddy”, aborda a ausência do pai, uma questão sentida por Elida, e que aqui é tratada com clareza e emoção.
Já em “Nka Ta Pasa” celebra o espírito resiliente da mulher cabo-verdiana, captando a energia vibrante dos mercados locais, palcos vivos de encontros, dramas e acontecimentos diários que espelham a realidade social de Cabo Verde. Uma realidade que Elida conhece de perto, já que a sua mãe foi vendedora de mercado, tendo a artista crescido nesse ambiente pulsante, entre vozes, ritmos e histórias, absorvendo desde cedo a força, a solidariedade e a luta quotidiana que hoje se refletem na sua música.







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