Ucrânia, Rússia e Estados Unidos retomam esta quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2026, em Abou Dhabi, um novo ciclo de negociações para tentar encontrar uma solução diplomática para a guerra. O encontro decorre num momento em que se intensificam os ataques russos, posições irreconciliáveis sobre os territórios ocupados e cepticismo assumido por Kiev quanto à vontade de Moscovo em negociar a paz.
As delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos voltam a encontrar-se em Abou Dhabi para um segundo ciclo de negociações, depois de um primeiro contacto, em Janeiro, sem resultados concretos. O reencontro acontece num momento delicado do conflito, marcado por uma escalada militar russa e por posições políticas cada vez mais rígidas.
Nos últimos dias, a Rússia lançou ataques massivos com drones e mísseis balísticos contra várias regiões da Ucrânia, atingindo infra-estruturas críticas de energia e aquecimento. Em pleno inverno, milhares de civis ficaram sem serviços básicos, aumentando a pressão interna sobre o governo ucraniano e agravando o clima de desconfiança em relação às intenções de Moscovo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os recentes bombardeamentos demonstram que a Rússia não está empenhada na via diplomática. Kiev admite, por isso, que a sua estratégia negocial foi revista, com menor flexibilidade e linhas vermelhas claramente definidas, sobretudo no que respeita à integridade territorial do país.
A questão dos territórios continua a ser o principal obstáculo a qualquer entendimento. Moscovo exige o reconhecimento da soberania sobre a totalidade do Donbass, bem como a retirada das forças ucranianas de zonas que ainda controla. Para a Ucrânia, estas exigências equivalem a uma capitulação política e militar, são rejeitadas de forma categórica. Kiev defende, como cenário mínimo, um cessar-fogo ao longo da actual linha da frente.
Os Estados Unidos tentam manter um papel central no processo. O Presidente norte-americano reiterou que acredita na vontade do Kremlin de pôr fim à guerra, apesar de reconhecer a complexidade das negociações. Washington faz-se representar por enviados especiais, procura preservar canais de diálogo e evitar um colapso total das conversações.
Do lado russo, o Kremlin mantém uma posição inflexível. Vladimir Poutine aposta numa estratégia de pressão militar paralela à via diplomática, e procura reforçar a posição negocial através de avanços no terreno. Segundo analistas internacionais, esta abordagem pretende consolidar ganhos antes de qualquer compromisso político.
Os Emirados Árabes Unidos voltam a assumir o papel de anfitriões e mediadores, beneficiando de relações estáveis com as duas partes. Abu Dhabi tem-se afirmado como um intermediário credível, sobretudo através de sucessivas mediações bem-sucedidas na troca de prisioneiros e no apoio humanitário, mantendo-se fora do regime de sanções ocidentais imposto à Rússia.
A Semana com RFI







Terms & Conditions
Report
My comments