O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, disse que “qualquer de visão alternativa às Nações Unidas não terá o acolhimento” de Portugal, em referência ao Conselho de Paz de Donald Trump. As declarações foram feitas esta quinta-feira, à chegada à cimeira extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde Luís Montenegro também disse aos jornalistas que é “altura de reafirmar a unidade e a firmeza” da União Europeia na relação com os Estados Unidos.
“É importante que fique muito assente que qualquer visão de alternativa às Nações Unidas não terá o nosso acolhimento. Não há alternativa às Nações Unidas. É nas Nações Unidas que o contexto multilateral se expressa e a concertação das Nações se deve evidenciar”, declarou o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Em causa, o Conselho de Paz lançado oficialmente esta quinta-feira por Donald Trump no Fórum Económico Mundial de Davos e que é visto como potencialmente concorrente com a ONU. Depois de abalar a ordem mundial e se retirar de várias instâncias das Nações Unidas, Donald Trump tenta angariar apoio para o seu autoproclamado "Conselho de Paz". Porém, a França e o Reino Unido recusaram-se a participar, enquanto a União Europeia expressou "sérias dúvidas" sobre esta organização, que dá grande destaque aos parceiros históricos dos Estados Unidos no Médio Oriente, aos aliados ideológicos de Donald Trump e aos países que desejam atrair a atenção do Presidente norte-americano.
Luís Montenegro indicou que “a ideia de poder haver um Conselho de Paz para acompanhar e monitorizar o processo de paz na Faixa de Gaza pode eventualmente ter algum desenvolvimento e alguma participação”. Porém, “tudo aquilo que possa extravasar esse objectivo de uma natureza genérica de intervenção de alguma maneira concorrencial com o espírito e funcionamento das Nações Unidas, parece-nos completamente desajustado”, sublinhou.
As declarações foram feitas esta quinta-feira, à chegada à cimeira extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os líderes europeus debateram as relações transatlânticas e tentaram enviar um sinal político forte de unidade aos Estados Unidos, face às intimidações de Donald Trump sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.
No passado fim de semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou taxas aduaneiras (de 10% em Fevereiro e de 25% em Junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido). Esta quarta-feira à noite, porém, Trump suspendeu essa ameaça e anunciou um acordo com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sobre a Gronelândia.
A Semana com RFI
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