O Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, não descarta rusgas policiais e detenções de imigrantes durante o Mundial de Futebol 2026, indicou esta quarta-feira o líder do grupo de trabalho da Casa Branca para o evento desportivo.
“O que não toleraremos são tumultos que ameacem a segurança”, salientou o ex-golfista, vincando que o evento desportivo demonstrará que “a segurança e a hospitalidade podem caminhar lado a lado”.
O campeonato Mundial de Futebol, que decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho do próximo ano e será também acolhido pelo Canadá e pelo México, acontece num momento marcado pela presidência de Donald Trump e pelas preocupações geradas pelas suas políticas de imigração de linha dura.
Questionado sobre a possibilidade de não serem concedidos vistos a pessoas que pretendam visitar os Estados Unidos para assistir ao Mundial, Giuliani disse que, para o Governo norte-americano, “cada decisão sobre um visto é uma decisão sobre segurança nacional”.
Por outro lado, o principal representante da Casa Branca para a realização da Taça do Mundo de Futebol reiterou o que Trump e a FIFA (Federação Internacional de Futebol) anunciaram recentemente: qualquer pessoa com bilhete para um jogo tem garantido o acesso às autoridades de imigração para tentar obter um visto.
O filho do ex-presidente da Câmara de Nova Iorque Rudy Giuliani realçou ainda que o tempo de espera para vistos nas secções consulares de países participantes como a Argentina, o Equador e o Brasil foi reduzido para menos de dois meses, e que as nações europeias e o Japão têm isenções de visto.
Quanto a dois países participantes no Mundial que constam da lista de 19 nações cujos cidadãos estão proibidos de entrar nos Estados Unidos por ordem do Governo Trump — Haiti e Irão —, Giuliani observou que “alguns elementos” das delegações de ambas as equipas obtiveram isenções que lhes autorizam a entrada em território norte-americano.
No caso dos adeptos haitianos e iranianos que pretendam assistir aos jogos, Giuliani remeteu a questão para o Departamento de Estado, responsável pela emissão de vistos.
Já esta quarta-feira, a organização Human Rights Watch (HRW) tinha expressado preocupação com a segurança dos estrangeiros que queiram assistir ao Mundial de Futebol de 2026 nos Estados Unidos, denunciando a detenção de um requerente de asilo que assistiu à final do Mundial de Clubes.
Num comunicado, a organização não-governamental (ONG) relatou o caso de um homem que levou os filhos à final do Mundial de Clubes nos Estados Unidos, em julho, em Nova Jérsia, e foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
“Um pai apaixonado por futebol, que planeou um dia especial com os filhos num torneio da FIFA, acabou detido durante três meses e depois foi enviado para um país onde, segundo ele, a sua vida corre perigo”, relatou a diretora de iniciativas globais da HRW, Minky Worden, no comunicado.
Segundo a ONG, esta detenção “ilustra as limitações dos esforços da FIFA para lidar com os graves riscos dos direitos humanos que os estrangeiros enfrentam nos eventos da FIFA”.
A par das críticas apontadas à associação que gere o futebol mundial, a HRW também visou as políticas migratórias de Donald Trump.
Worden alertou de que a política norte-americana relativa à “aplicação das leis migratórias em grandes eventos desportivos pode separar famílias e expor pessoas que fogem da perseguição a um perigo mortal”.
Segundo a HRW, a FIFA deveria instar as autoridades norte-americanas a não se concentrarem nos eventos do Mundial de Futebol para aplicar as leis migratórias, como fizeram durante o Mundial de Clubes este ano.
A Semana com Observador/Lusa







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