Pela segunda vez na história a UNESCO, organização da ONU para a educação, ciência e cultura, passará a ser liderada por um africano, desta feita o egípcio Khaled El Enany. O Conselho executivo designou este especialista em história egípcia para suceder à francesa Audrey Azoulay, para um mandato de quatro anos. Uma decisão que deve ainda ser validada pela Conferência desta agência que vai decorrer no Uzbequistão a 6 de Novembro.
Khaled El Enany, antigo ministro egípcio do turismo e das antiguidades, tem 54 anos e formou-se em Montpellier, sul de França, em egiptologia.
Após o senegalês Amadou Mahtar Mbow (de 1974 a 1987) ele torna-se no segundo africano a chegar à liderança desta agência especializada da Organização das Nações Unidas.
A Organização para a educação, ciência e cultura tem atravessado alguma turbulência com a saída de países como Israel, em 2017, da Nicarágua em 2025, e dos Estados Unidos (após uma primeira saída e um regresso posterior).
Khaled El Enany, como a sua antecessora, a francesa Audrey Azoulay, promete tudo fazer para que os americanos regressem à UNESCO (os Estados Unidos representavam 8% do orçamento total).
Em entrevista a Clotilde Hazard, Khaled El Enany prometeu uma organização menos politizada e reagiu com alguma surpresa à sua eleição quase por consenso ao recolher 55 dos 57 votos, contra Firmin Edouard Matoko do Congo Brazzaville.
O número de votos que obtive constitui uma responsabilidade enorme para mim.
Nos primeiros 100 dias do meu mandato farei reuniões para dialogar com a família da UNESCO.
Venho de uma região que é um cruzamento de culturas: sou egípcio, logo simultaneamente árabe, mediterrânico, africano, cidadão do Sul e do mundo.
Quero servir de ponte cultural !
Pretende-se obter uma UNESCO menos politizada, uma UNESCO que respeita o seu mandato, que é um mandato técnico.
Uma agência que será imparcial, sem servir um grupo em detrimento de outros, nem uma cultura em detrimento das outras.
Sou o primeiro egípcio e o primeiro árabe neste cargo. E sempre fui claro sobre o facto de que não chego aqui com uma agenda cultural.
O slogan da minha campanha era "A UNESCO em prol dos povos": quero uma UNESCO que tenha impacto na vida das pessoas, uma UNESCO conhecida e reconhecida pelas pessoas, além do património cultural.
A razão de ser da UNESCO é aproximar os povos. Porque os acordos governamentais e políticos aproximam os governos. Mas a educação, a ciência, a cultura e a comunicação aproximam os povos.
A Semana com RFI África







Terms & Conditions
Report
My comments