sexta-feira, 10 julho 2026

Rússia nega ser "tigre de papel" e vai continuar a guerra

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A Rússia negou hoje, 24, que tenha sido um “tigre de papel” na sua ofensiva na Ucrânia, como alegou o Presidente norte-americano na terça-feira, garantindo que vai continuar a guerra no território ucraniano.

“A Rússia não é de forma alguma um tigre. A Rússia é geralmente associada a um urso. Não existem ursos de papel e a Rússia é um urso verdadeiro”, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, numa entrevista à rádio RBC.

“Continuamos a nossa operação militar especial para garantir os nossos interesses e alcançar os objetivos que (…) o Presidente do nosso país [Vladimir Putin] estabeleceu desde o início. Estamos a fazê-lo pelo presente e pelo futuro do nosso país, durante muitas gerações. Por isso, não temos outra alternativa”, declarou o porta-voz russo.

As declarações do porta-voz russo surgem após uma reviravolta na posição do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à guerra na Ucrânia — que foi invadida pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022 —, agora atacando a Rússia e apoiando firmemente os ucranianos.

Trump afirmou na terça-feira que a Ucrânia poderia “recuperar o seu território na sua forma original e talvez até ir mais longe” contra a Rússia, sem mencionar o papel que os Estados Unidos desempenhariam no conflito em curso.

“Há três anos e meio que a Rússia trava uma guerra sem uma liderança clara, que uma verdadeira potência militar teria vencido em menos de uma semana”, afirmou Donald Trump na sua rede social Truth, comparando o país de Vladimir Putin a “um tigre de papel”.

“Nas nossas relações, há uma abordagem que visa eliminar os fatores de fricção (…). Mas esta abordagem está a avançar lentamente. Os seus resultados são próximos de zero”, disse Peskov.

O porta-voz russo lembrou que Putin tem afirmado repetidamente que o exército russo está a avançar “com muito cuidado para minimizar as baixas” no território ucraniano.

“São ações muito bem pensadas”, enfatizou Peskov, acrescentando que “é melhor prolongá-las ao longo do tempo do que apressar-se (…) e aumentar o número de mortos”.

“As nossas tropas estão a avançar com confiança por toda a linha da frente. As Forças Armadas da Ucrânia estão a sofrer pesadas baixas”, insistiu, alertando que “para aqueles que não querem negociar hoje, a situação será muito pior amanhã e depois de amanhã”.

 

As tentativas de encontrar uma solução diplomática para o conflito na Ucrânia falharam até ao momento, uma vez que as posições de Moscovo e Kiev sobre o fim da guerra, os termos de um cessar-fogo ou uma reunião entre os seus dois líderes são diametralmente opostas.

A Rússia, que ocupa aproximadamente 20% da Ucrânia, exige que o país ceda cinco regiões e renuncie à adesão à NATO. Kiev recusa e pede o envio de tropas ocidentais para sua proteção, uma ideia que a Rússia considera inaceitável.

O Kremlin garantiu hoje também que a Rússia está “estável”, referindo-se à sua situação económica.

“A Rússia mantém a sua estabilidade económica”, disse Dmitri Peskov, acrescentando, no entanto, que “a Rússia enfrenta tensões e problemas em vários setores da economia”.

 

A Semana com Observador/Lusa

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