terça-feira, 16 junho 2026

Homenagem a Zeca di Nha Reinalda marca abertura da 15ª edição do Kriol Jazz Festival

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A festa de música na cidade da Praia prosseguiu com o arranque da 15ª edição do Kriol Jazz Festival (KJF) nesta quinta-feira, 9, na Pracinha da Escola Grande. O Atlantic Music Expo (AME) deu espaço para o KJF, numa noite marcada pela homenagem a Zeca di Nha Reinalda, considerado o “rei” do funaná, e pela conexão de músicos das diferentes ilhas da Macaronésia, pelo projeto Entre-Ilhas.

Para assinalar os 50 anos de carreira de Zeca di Nha Reinalda, a organização do evento preparou uma surpresa com atuação de Nataniel Simas e Ineida Moniz, interpretando músicas do artista. Os músicos, acompanhados da banda de Kaku Alves, agitaram o público e cantaram grandes sucessos de Zeza, como “Fidju Femia”, “Fomi 47”, “Tó Martins”, “Tchon di Massa Pé”. A apresentação foi encerrada com o single “Bem di Fora”, que levou o público a dançar e cantar.

O grande homenageado desta edição foi Zeca di Nha Reinalda, que infelizmente não pôde estar presente, por se encontar neste momento em Portugal a preparar um concerto que dará neste sábado. Mas apareceu em vídeo a agradecer pela homenagem e a todos os praienses, e a contar um pouco da sua trajetória de vida e como músico.

A escolha do homenageado representa, segundo a Harmonia, produtora do evento, um reconhecimento da importância histórica, cultural e identitária, de Zeca, reafirmando o seu compromisso com a valorização das grandes referências da música nacional.

Na ausência de Zeca, a sua filha Amerita Fernandes subiu ao palco para receber a distinção pelo reconhecimento artístico do trabalho do pai que realizou ao longo da sua vida, entregue pelo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.

Para assinalar os 50 anos de carreira de Zeca di Nha Reinalda, a organização do evento preparou uma surpresa com atuação de Nataniel Simas e Ineida Moniz, interpretando músicas do artista. Os músicos, acompanhados da banda de Kaku Alves, agitaram o público e cantaram grandes sucessos de Zeza, como “Fidju Femia”, “Fomi 47”, “Tó Martins”, “Tchon di Massa Pé”. A apresentação foi encerrada com o single “Bem di Fora”, que levou o público a dançar e cantar.

A carreira do praiense Zeca iniciou em 1974, mas a sua ligação com a música começou ainda na infância com influência do seu pai que cantava e tocava. Recorda com emoção, em uma entrevista exclusiva para o Caderno Especial Kriol Jazz Festival 2026 editado pelo jornal A Semana, um presente marcante dado pelo seu pai, um móvel com gira-discos integrado - numa época em que tal objeto representva um grande investimento.

O artista revela que gravou quatro álbuns com o grupo Bulimundo e seis com a banda Finaçon, incluindo temas como "Konbersu'l Tristi Korbo Nha Xintido", "Dotoradu".

Soma ainda sete discos a solo, um álbum em parceia com o seu irmão Zezé di Nha Reinalda, e duetos com vários artistas, como Elida Almeida, Loony Jhonson e Charbel.

Zeca di Nha Reinalda juntou-se ao conjunto Bulimundo após um encontro com Katchás, e diz que só aceitou o convite depois de este concordar com a sua condição de levar também os seus colegas de grupo que integrava na altura, o “Vóz de África”.

                                    Entre-Ilhas e outros espectáculos 

A noite de apresentações continuou com o projeto Entre-Ilhas, liderado pelo maiense Adé Costa.

O projeto integra músicos dos quatro arquipélagos da Macaronésia, cuja missão é “construir pontes culturais entre margens irmãs desta região atlântica”, conforme avança a organização.

“Macaronésia Vol.1” é muito mais do que um disco: é uma rica fusão cultural, uma travessia, uma conversa secular ou um convite para descobrir o que une estas ilhas, onde cada música reflete a sua identidade, ao mesmo tempo que cria vínculos entre elas”.

A banda é integrada pelos cabo-verdianos Adé Costa e Olushola Emmanuel, da Madeira, Roberto Moniz, e das Canárias, Julia Rodríguez, Ner Suárez e Pablo Queu. Juntaram-se também à banda, os cantorores cabo-verdianos Josslyn  e Sthe Mandela.  

O Kriol Jazz Festival continua nesta sexta-feira, 10, com as atuações de Ceuzany (Cabo Verde); Alfredo Rodríguez (Cuba); Margareth Menezes (Brasil) e Les Quatre Étoiles du Zaire (Congo).

A cantora cabo-verdiana Ceuzany tem a missão de abrir o palco da segunda noite, a ter lugar às 20:30h de hoje. Logo depois sobem ao palco dois dos grandes destaques desta 15ª edição, nomeadamente Alfredo Rodríguez e Margareth Menezes. E o grupo Les Quatre Étoiles du Zaire está encarregado de fechar o palco.   

                                                Brasileira Margareth Menezes atua no Mindelo

Segundo declarações do produtor José da Silva à imprensa, à semelhança das edições anteriores, está também previsto um espetáculo na ilha de São Vicente. “Este ano, Margareth Menezes actua na Cidade da Praia na sexta-feira e no sábado em São Vicente”.  

Margareth Menezes, segundo a Harmonia, é a maior representante negra da música baiana, é também criadora do Movimento Afropop Brasileiro, e uma das vozes mais potentes do Brasil.

Funde ritmos como o samba, maracatu e samba, reggae com sonoridades pop contemporâneos, “resgatando a história ao mesmo tempo que adiciona camadas de inovação”.

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