Depois de quase três semanas de manifestações conduzidas pela juventude malgaxe, o exército anunciou esta terça-feira, 14 de Outubro, a tomada do poder, confirmando o fim do mandato de Andry Rajoelina, em exílio.
O movimento, liderado pela geração designada Gen Z, provocou fracturas dentro do exército. No domingo, o Presidente deixou discretamente Madagáscar a bordo de um avião militar francês, segundo várias fontes diplomáticas da RFI.
Eleito em 2018 e reeleito em 2023 num escrutínio boicotado pela oposição, Andry Rajoelina enfrentava, desde finais do mês de Setembro, contestações na rua. Inicialmente provocadas pela falta de água e electricidade, as manifestações passaram rapidamente a denunciar a corrupção, a degradação dos serviços públicos e a apropriação das riquezas por uma elite restrita.
O movimento, liderado pela geração designada Gen Z, provocou fracturas dentro do exército. No domingo, o Presidente deixou discretamente Madagáscar a bordo de um avião militar francês, segundo várias fontes diplomáticas da RFI.
Os oficiais responsáveis pela tomada de poder afirmam querer instaurar um Conselho de Defesa Nacional de Transição, que vai exercer o poder executivo com um governo civil reduzido. Deve ser designado um primeiro-ministro de consenso "em concertação com a juventude mobilizada", com a promessa de organizar eleições num prazo máximo de dois anos.
Conforme a mesma fonte, a presidência malgaxe denunciou uma "tentativa de golpe de Estado" e garantiu que o Andry Rajoelina permanecia "em funções". Mas as imagens de blindados em frente às instituições e a partida do chefe de Estado fragilizam esta versão.
Em Paris, o Presidente francês Emmanuel Macron apelou à manutenção da "ordem constitucional", enquanto Washington exortou as partes a procurarem uma solução pacífica. No terreno, a tensão mantém-se: milhares de jovens juntaram-se esta terça-feira à noite em Antananarivo, gritando palavras de ordem hostis a Andry Rajoelina e à França.
Em 2009, o mesmo corpo militar, o Capsat, contribuiu para a ascensão de Andry Rajoelina ao poder. 17 anos depois, o ciclo repete-se, mas desta vez sob a pressão directa de uma geração que rejeita a classe política tradicional, refere a fonte que vimos citando.







Terms & Conditions
Report
My comments