quarta-feira, 24 junho 2026

A ATUALIDADE

Praia: Manifestação de protesto contra cortes de energia com fraca participação

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Moradores da capital do país manifestaram-se na tarde de ontem, 30, para exigir maior responsabilização da direcção da EDEC face aos danos e prejuízos sofridos com os sucessivos cortes de energia, lamentando, no entanto, a fraca participação dos praienses.

 

"Se for um caso de falha de manutenção, então, quem é o responsável pela manutenção? É a empresa que falhou, então, ao conselho de administração da empresa que produz energia o que vai acontecer com eles, é demissão, é multa ou suspensão? Tem de  haver algum prejuízo para eles também, não pode ser só para nós, pagar a culpa da incompetência e desleixo do trabalho”, apontou.

Agendada para as 17:00, em frente ao Ministério da Indústria e Energia, no Plateau, a manifestação contra os cortes de energia foi travada na Praça Alexandre Albuquerque, onde barreiras impediram o avanço dos participantes.

Apesar de serem poucos, os manifestantes ergueram cartazes com frases como “Energia é direito, não privilégio”, “Apagão é atraso para Cabo Verde”, “EDEC, respeito ao consumidor”, “Assumam responsabilidades pelos danos causados”, “Queremos soluções, não desculpas”, “Consumo justo, preços justos”, entre outros dizeres.

Bruno Barbosa, um dos organizadores da manifestação realizada terça-feira, afirmou que o protesto surge em resposta aos sucessivos cortes de energia que têm afectado a ilha de Santiago, em especial a cidade da Praia, há cerca de 60 dias. 

Segundo o porta-voz, as reivindicações centram-se em três pontos principais, nomeadamente a responsabilização pela situação, o pagamento dos prejuízos causados e a revisão dos incentivos anunciados pela EDEC, considerados insuficientes face aos danos sofridos por famílias e empresas.

"Se for um caso de falha de manutenção, então, quem é o responsável pela manutenção? É a empresa que falhou, então, ao conselho de administração da empresa que produz energia o que vai acontecer com eles, é demissão, é multa ou suspensão? Tem de  haver algum prejuízo para eles também, não pode ser só para nós, pagar a culpa da incompetência e desleixo do trabalho”, apontou.

Barbosa recordou que há empresários impossibilitados de manter as suas actividades, famílias que perderam eletrodomésticos e cidadãos que tiveram de investir em geradores para suprir a falta de energia.

“No meu caso, tenho uma empresa, paguei salários de uma empresa que teve praticamente 22 dias sem trabalho, quem é que vai me ajudar com esses prejuízos?”, questionou.

Denunciou ainda que o desconto de 20% anunciado pela EDEC, repartido entre Outubro e Novembro, não cobre sequer uma parte mínima dos prejuízos.

Bruno Barbosa defendeu que as compensações devem ser justas, ou seja, isenção total de facturas para a população e mecanismos de apoio directo às empresas afectadas.

“Moradores de Santiago, particularmente da Praia, estão a mendigar energia elétrica em pleno século XXI, algo que já devia ser ultrapassado há décadas”, lamentou. 

Apesar da fraca participação, o organizador sublinhou que a mobilização deve crescer progressivamente, instando os cabo-verdianos, sobretudo os residentes em Santiago, a juntarem-se à luta pela responsabilização da empresa e pela resolução definitiva da crise energética.

Entre os presentes, Karine Silva explicou que a iniciativa surge em protesto contra os sucessivos apagões que têm afectado a capital, causando prejuízos materiais, interrupções no trabalho e riscos à segurança da população.

Relatou que um incêndio deflagrou recentemente na casa dos seus pais, provocado pela sobrecarga elétrica após o regresso da energia. Acrescentou que o fogo foi controlado com a ajuda de vizinhos, uma vez que as tentativas de contactar os bombeiros não tiveram sucesso devido a falta de rede telefónica. 

Karine Silva afirmou que, caso o problema não seja resolvido, os cidadãos irão organizar manifestações mais fortes e organizadas.

Criticou ainda a fraca participação da população, lamentando que os praienses não se mobilizem para exigir os seus direitos, mas se for para participar numa festa a praça estaria cheia.

Questionada sobre a criação de uma equipa especial para avaliar rapidamente os pedidos de indemnização, a manifestante denunciou a morosidade do processo, afirmando que no caso dos seus pais, há duas semanas aguardam uma resposta da EDEC sem qualquer feedback, apesar das vistorias realizadas.

 

A Semana com Inforpress

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Miranda
1 day 19 hours

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