quarta-feira, 24 junho 2026

A ATUALIDADE

Chuva de críticas no 10.000° Conselho de Segurança da ONU após novo veto dos EUA sobre Gaza

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Pela sexta vez desde o início da guerra, há dois anos, os Estados Unidos bloquearam a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que solicitava um cessar-fogo em Gaza. Washington defende que o grupo islamista palestiniano Hamas deve render-se, considerando que essa é a única solução para o conflito.

 

Do lado palestinaniano Riyad Mansour, representante permanente, acusou Israel de cometer genocídio. "Israel não tem o direito de massacrar os palestinianos. Israel não tem o direito de cometer genocídio. Israel não tem o direito de fazer limpeza étnica. Israel não tem o direito de famificar um povo", disse ele. O representante palestiniano afirmou ainda que o "silêncio do Conselho" tem um "custo imenso para a sua credibilidade", já que o veto americano impede o órgão de cumprir seu papel de proteção dos civis.

 

 

Catorze votos a favor. Um voto contra. A resolução foi, portanto, rejeitada. Foi com este resultado que terminou, na quinta-feira, a 10.000ª reunião do Conselho de Segurança, após uma votação sobre uma proposta que exigia a implementação de um cessar-fogo em Gaza.

No início da reunião, o representante da República da Coreia, que exerce a presidência rotativa do Conselho no mês de setembro, fez uma breve referência ao marco alcançado com a 10.000ª reunião. "É um número significativo, imenso", disse ele, "tal como os desafios que ainda temos pela frente". Um cenário que se reflete, todos os dias, nos dois milhões de habitantes de Gaza, esmagados pela guerra e pela fome.

Os Estados Unidos, o único país a votar contra, consideraram que a resolução "não reconhece o direito de Israel de se defender". A representante americana acusou-a até de "legitimar a propaganda do Hamas", o grupo responsável pelo ataque de 7 de Outubro de 2023, que deu origem ao actual conflito. "Esta guerra poderia terminar hoje se o Hamas libertasse os reféns e depusesse as armas", afirmou Washington, acusando também o grupo de desviar a ajuda humanitária e de "instrumentalizar a vida dos civis em Gaza para destruir Israel".

Todas as outras delegações votaram a favor do texto. No entanto, como membro permanente do Conselho, os Estados Unidos têm direito de veto, o que lhes permite bloquear qualquer iniciativa, independentemente do apoio que ela tenha.

Chuva de críticas após veto americano

Após a votação, vários membros do Conselho condenaram com veemência as consequências do veto dos Estados Unidos. O Reino Unido sublinhou que "um cessar-fogo é mais necessário do que nunca", lamentando que "a expansão imprudente da operação militar israelita nos afasta de um acordo que poderia trazer os reféns de volta e pôr fim ao sofrimento em Gaza".

Londres referiu ainda que se trata de uma "fome criada de raiz", lembrando o ataque israelita ao hospital infantil de Gaza, onde "bebés em incubadoras e crianças em diálise não deveriam estar sob bombardeamentos".

A Rússia também criticou o "sétimo veto americano" desde o início da guerra, acusando os Estados Unidos de transformar o Conselho numa "testemunha inocente da catástrofe".

A França condenou a intensificação da ofensiva israelita, considerando que "já não tem lógica militar". Paris reiterou ainda a sua oposição "a qualquer plano de ocupação de Gaza ou de deslocação forçada da sua população".

Do lado palestinaniano Riyad Mansour, representante permanente, acusou Israel de cometer genocídio. "Israel não tem o direito de massacrar os palestinianos. Israel não tem o direito de cometer genocídio. Israel não tem o direito de fazer limpeza étnica. Israel não tem o direito de famificar um povo", disse ele. O representante palestiniano afirmou ainda que o "silêncio do Conselho" tem um "custo imenso para a sua credibilidade", já que o veto americano impede o órgão de cumprir seu papel de proteção dos civis.

Situação em Gaza continua preocupante

O número de vítimas fatais dos bombardeamentos israelitas na Faixa de Gaza aumentou nas últimas horas para 14, segundo informações avançadas por fontes médicas citadas pela agência palestiniana WAFa. De acordo com os relatos, pelo menos catorze palestinianos perderam a vida em ataques aéreos ou tiroteios israelitas na região.

O Hospital Al-Shifa registou cinco mortes, enquanto o Hospital Al-Maamoud contabilizou três vítimas mortais. Já os hospitais Al-Awda e Al-Aqsa reportaram, respetivamente, cinco e uma morte.

Israel prepara-se para aumentar em 23 por cento o seu orçamento de defesa

Para financiar os custos da guerra contra o Irão, em Junho, e a ofensiva terrestre em curso no norte da Faixa de Gaza, Israel está a planear um aumento de 25,9 mil milhões de shekels (aproximadamente 6,5 mil milhões de euros) no seu orçamento de defesa, o que representa um acréscimo de 23% em relação ao valor inicialmente previsto para o ano fiscal de 2025. O orçamento revisto foi aprovado na quinta-feira, 18 de Setembro, pelo Comitê de Finanças do Knesset e deverá corresponder a cerca de 9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Israel — o dobro do valor destinado anteriormente às questões militares antes do ataque do Hamas em 7 de Outubro de 2023.

O Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, justificou o aumento, afirmando que se trata de um orçamento completamente dedicado às despesas de segurança essenciais para a continuidade da guerra, incluindo a compra de munições, equipamentos e o apoio às necessidades operacionais do exército israelita. Durante a discussão no Knesset, um alto responsável militar indicou que, neste momento, o exército enfrenta uma escassez de cerca de 12.000 soldados, sendo 7.000 deles combatentes, para satisfazer as necessidades operacionais da força militar.

 

A Semana com RFI

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