ATUALIDADE
Praia: Simone Spencer defende criação de mercado artístico para reduzir dificuldades dos artistas em Cabo Verde
A artista plástica Simone Spencer considerou esta sexta-feira que o maior obstáculo enfrentado pela classe em Cabo Verde não é a falta de talento, mas sim a inexistência de um mercado artístico estruturado que garanta a sustentabilidade dos profissionais. Em declarações à Inforpress, a criadora explicou que as dificuldades vividas no arquipélago reflectem uma realidade global, mas que são agravadas a nível local pela escassez de estruturas de apoio fundamentais ao sector, tais como galerias de arte, curadores, feiras especializadas, coleccionadores e produtores. "É difícil viver da arte, mas não é impossível. A maior dificuldade está na parte estrutural do mercado artístico cabo-verdiano", afirmou Simone Spencer, sublinhando que esta lacuna limita a circulação das obras e a consolidação de carreiras nas artes visuais. Apesar do cenário adverso, a artista defendeu que os criadores devem encarar a actividade com o rigor de qualquer outra profissão, adoptando uma postura de disciplina e valorização do próprio trabalho. "O artista é um profissional. Trabalha com as mãos e com a cabeça. A arte exige muita técnica e conhecimento. É importante que o artista se veja como um profissional, porque também tem contas para pagar", sustentou. Questionada sobre a ideia, frequentemente defendida, de que é necessário escolher entre fazer arte por paixão ou procurar estabilidade financeira, Simone Spencer rejeitou essa dicotomia. Na sua perspectiva, a profissionalização do sector e uma maior valorização do trabalho artístico podem contribuir para que seja possível conciliar a liberdade de criação com a viabilidade económica. A Semana com Inforpress
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