quinta-feira, 09 julho 2026

A ATUALIDADE

Moçambique entre países de maior risco humanitário do El Niño até 2027

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa
 
Moçambique é um dos países com maior risco de impactos humanitários associados ao El Niño, que deverá persistir até março de 2027, agravando a insegurança alimentar, escassez de água, desnutrição e necessidades sanitárias, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira. Orelatório da organização internacional independente ACAPS, que analisa crises humanitárias e apoia a tomada de decisões no setor da ajuda humanitária, considera as atuais condições do El Niño como fortes e das mais intensas desde 1950. O documento coloca Moçambique na lista dos países com "maior risco de impactos humanitários severos causados ou agravados pelo El Niño entre julho de 2026 e março de 2027", juntamente com Afeganistão, Burkina Faso, Etiópia, Guatemala, Haiti, Honduras, Quénia, Madagáscar, Mali, Paquistão, Filipinas, Somália, Sudão do Sul e Sudão. A análise antecipa precipitação abaixo da média durante a fase inicial -- novembro e dezembro - da época chuvosa 2026/2027, na África austral, incluindo no sul de Moçambique. A ACAPS considera que, neste cenário, poderá ocorrer um início tardio ou deficitário da estação chuvosa, comprometendo a instalação das culturas alimentares de sequeiro num período crucial para a produção agrícola regional. Acrescenta que as temperaturas deverão permanecer acima da média em toda a África austral entre julho e dezembro deste ano, situação que tenderá a agravar a escassez de água, assinalando que a permanência do El Niño até ao primeiro trimestre do próximo ano poderá prolongar as condições secas ao longo da restante época das chuvas. "A região deverá continuar a experienciar condições mais secas do que a média até perto do final da estação chuvosa, conduzindo a colheitas de milho abaixo da média, menor disponibilidade de pastagens e de água para o gado e deterioração da segurança alimentar ao longo de 2027", lê-se. No relatório identifica-se um risco acrescido de incêndios florestais e queimadas descontroladas: "A combinação de condições mais secas e mais quentes aumentará o risco de incêndios nas áreas de savana árida do Maláui, Moçambique e Zimbabué entre agosto e outubro". A ACAPS alerta ainda que os efeitos climáticos ameaçam cruzar-se com outras vulnerabilidades já existentes, recordando que Moçambique continua exposto aos impactos da crise internacional dos combustíveis e fertilizantes, associada às perturbações recentes no Médio Oriente, situação que contribui para aumentar os custos de produção agrícola e os preços dos alimentos. Segundo a organização, os choques provocados pelo clima irão cruzar-se com problemas socioeconómicos já existentes, aumentando a pressão sobre os meios de subsistência, o acesso à água, a nutrição e os serviços de saúde. Sustenta que "os países com maior risco de impactos relacionados com o El Niño serão Madagáscar, Maláui, Moçambique e Zimbabué", uma vez que os choques climáticos deverão agravar fatores de vulnerabilidade já presentes, incluindo crises económicas, conflitos e os efeitos de eventos anteriores. Aponta que esse cenário ameaça resultar em níveis mais elevados de insegurança alimentar, insegurança hídrica, desnutrição e necessidades humanitárias durante 2027. O Governo moçambicano cortou na terça-feira a previsão de crescimento económico de 2,8% para 0,59% em 2026, devido aos impactos das inundações. "As cheias de janeiro de 2026 afetaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, com impactos significativos sobre a pobreza, segurança alimentar e os meios de subsistência", disse, no final da reunião do Conselho de Ministros, o porta-voz do órgão. Segundo Inocêncio Impissa, o Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias aprovado nesta reunião, de 102 mil milhões de meticais (1.400 milhões de euros), promove "uma recuperação resiliente, inclusiva e sustentável das áreas afetadas pelas cheias", assegurando a estabilização socioeconómica, recuperação dos meios de subsistência e reforço da capacidade de resposta a futuros desastres. As estimativas do Governo apontam para danos físicos avaliados em 69,5 mil milhões de meticais (955 milhões de euros) e perdas económicas de 41,37 mil milhões de meticais (569 milhões de euros).     A Semana com NM/Lusa

2500 Characters left


Colunistas

Opiniões e Feedback

Miranda
17 days 3 hours

Boa iniciativa essa da reedição de Lexico de Armando Napoleão Fernandes, de S.Catarina. Avante com o trabalho e força ...

jmn
19 days 13 hours

Francisco Carvalho recebeu do povo cabo-verdiano uma oportunidade histórica. Uma maioria absoluta não é um prémio pessoal ...

Terra
23 days 17 hours

A nossa terra a muito que fazer sobre descriminação sobre essas matérias os nossos políticos estão a usar memórias d ...

Pub-reportagem

publireport

Rua Vila do Maio, Palmarejo Praia
Email: asemana.cv@gmail.com
asemanacv.comercial@gmail.com
Telefones: +238 3533944 / 9727634/ 993 28 23
Contacte - nos