ATUALIDADE
Sal: Autarquia lança projeto de recolha seletiva para travar entrada de 80% de resíduos recicláveis no aterro
A autarquia salense, em parceria com a Cabo Verde Recycling (CV Recycle), lançou hoje, nos Espargos, o projecto de recolha seletiva visando travar a entrada de mais de 80 por cento (%) de resíduos recicláveis no aterro municipal. O acto de lançamento oficial, inserido nas comemorações do Dia Internacional Sem Sacos de Plástico, reuniu autoridades locais, operadores turísticos e representantes da sociedade civil, sob o lema “Por um Sal mais limpo, por um futuro sustentável”. Ao discursar em representação do edil salense, o vereador pela área do Saneamento, Francisco Correia, alertou para a urgência da medida, lembrando que a ilha possui apenas 216 quilómetros quadrados e recursos limitados. “Uma ilha desta dimensão não pode e não deve continuar a albergar mais aterros sanitários. Cada metro quadrado ocupado por resíduos é um metro quadrado que perdemos para sempre, com consequências directas na poluição do solo, na qualidade de vida e na imagem que projectamos para o mundo”, sublinhou. O forte fluxo turístico, que constitui a base da economia local e representa cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, foi apontado como o principal factor para que o Sal seja uma das ilhas que mais produz resíduos, proporcionalmente, em todo o país. Numa primeira fase, o projecto vai focar na separação, preparação e compactação destes materiais para efeitos de exportação. Por seu turno, Jorge Vargas, da equipa técnica promotora do projecto, explicou que a iniciativa arranca com um forte pilar na educação ambiental, elegendo as escolas e as crianças como os principais veículos de comunicação e sensibilização junto das famílias. O plano de acção estende-se igualmente às entidades públicas e ao sector hoteleiro, em que a maioria dos hotéis já possui recolha selectiva interna, devendo os restantes ser integrados através de acções de formação técnica promovidas pela edilidade. Durante a apresentação, foi também destacada a vertente económica do projecto, sustentada no conceito de economia circular, demonstrando que os materiais recicláveis podem gerar recursos e postos de trabalho na própria comunidade. A título de exemplo, adiantou-se que o vidro recolhido será triturado para ser utilizado na construção civil, eliminando o problema do salitre e substituindo a extração de areia, enquanto as embalagens do tipo tetra-pak serão recicladas para o fabrico de placas divisórias e telhas. Também os resíduos de borracha acumulados na ilha serão triturados para a confecção de pavimentos para escolas e hotéis. Os promotores advertiram, contudo, que a resolução do problema ambiental da ilha será feita por fases e exigirá uma atitude proactiva e o compromisso factual de toda a população. As actividades em prol do ambiente prosseguem durante o dia de hoje, com uma campanha de limpeza na Baía do Tubarão, que deverá mobilizar voluntários, parceiros e diversas instituições locais num acto colectivo de cidadania e preservação da natureza. A Semana com Inforpress
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