ATUALIDADE
Cabo Verde: Conceito de cidadania resulta na escola se for da cultura
O diretor nacional de Educação de Cabo Verde, a nação lusófona melhor colocada no índice de perceção de corrupção, referiu hoje que conceitos como a cidadania só resultam na escola se passarem a fazer parte da sua cultura. "Para nós, em Cabo Verde, a educação para a cidadania é uma disciplina transversal, ou seja, deve ser tratada em todas as disciplinas curriculares, do 1.º ao 12.º ano", começou por contextualizar o diretor nacional de Educação de Cabo Verde, Adriano Fernandes, durante a sua participação, em regime 'online', numa mesa redonda durante o lançamento das ferramentas educativas em língua portuguesa da iniciativa GRACE (Recurso Global para a Educação e Empoderamento dos Jovens na área do combate à corrupção), na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Segundo este responsável, no arquipélago constataram que a cidadania, a ética e a integridade só produzem resultados quando deixam de ser vistas como uma disciplina isolada e passam a fazer parte "daquilo que é cultura da escola". Além disso, prosseguiu, têm sido também usadas várias estratégias para que os alunos possam viver os valores que pretendem transmitir, nomeadamente, através da participação dos estudantes em associações, em projetos de voluntariado, em ações comunitárias, em campanhas ambientais, em iniciativas de mediação de conflitos, entre outros. "Reforçar aquilo que é a literacia digital, o pensamento crítico", capacitação dos alunos para analisarem aquilo que são as informações, a identificarem a desinformação e a utilizarem as redes sociais de uma forma responsável tem também sido desenvolvido. "Isto é feito em todos os anos de escolaridade, de uma forma integrada, através também dos projetos educativos", frisou. Na sua opinião, outro elemento essencial é o exemplo que é dado pelos adultos. "A integridade também se aprende com as práticas institucionais e quando os alunos observam a transparência, o respeito, a responsabilidade na própria gestão da escola, esses valores tornam-se mais credíveis e significativos", complementou. "Acreditamos que a educação para a integridade ou a educação para a cidadania deve ser experienciada diariamente na escola e não apenas num conjunto de conceitos ensinados numa disciplina curricular", concluiu. A tradução das ferramentas da iniciativa GRACE, uma iniciativa hoje apresentada, foi possível graças a uma parceria entre o Escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a CPLP. Segundo o Índice de Perceção da Corrupção (IPC), disponibilizado em fevereiro e que este ano classificou 182 países e territórios de acordo com os seus níveis percecionados de corrupção no setor público numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), Cabo Verde (62) surge como a nação da CPLP com melhor classificação, seguida de Portugal (56), que cai um ponto em relação ao ano passado, sendo estes os únicos dois países a manterem-se acima dos 50 no IPC. Os restantes países da CPLP obtiveram classificações negativas: Timor-Leste (45) São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35) Angola (32) - estando estes na ou acima da média de 32 em 100 na África subsaariana -, Guiné-Bissau (21), Moçambique (21), Guiné Equatorial (15). A CPLP, que em 17 de julho assinala 30 anos, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A Semana com Inforpress
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