ATUALIDADE
Campanha de Cabo Verde no Mundial inspira jovens nas escolas de futebol
A participação histórica de Cabo Verde no Campeonato do Mundo está a inspirar jovens futebolistas que acreditam que a campanha dos Tubarões Azuis pode deixar um legado para o futuro do futebol cabo-verdiano. "Tenho um sonho que é representar Cabo Verde na Copa do Mundo", afirmou Liam Antunes, de 10 anos, atleta da Escola de Preparação Infantil de Futebol (EPIF), na cidade da Praia. Liam não é dos mais altos do grupo, mas mostra destreza de cada vez que a bola lhe chega aos pés, tal como outras dezenas de colegas que, ao fim da tarde, se juntam no campo de Sucupira. Trata-se de um relvado sintético na Achada Santo António, onde há treinos entre as 18:00 e as 20:00 (20:00 e 22:00 em Lisboa) às terças e quintas-feiras, à semelhança do que acontece noutros bairros da cidade. Juntam-se dezenas de pessoas: treinadores, pais e jovens que praticam lances de bola parada, com remates à baliza, passes e jogos entre eles, num ambiente animado, marcado por incentivos, gritos de apoio e familiares a puxarem pelos mais novos. A EPIF alinha com um equipamento em tons de azul que todos vestem, mesmo nos treinos. Liam Antunes explicou como faz para chamar a atenção. "Fiquei a tentar marcar mais golos para o 'mister' ver alguma coisa em mim, para ser convocado para os jogos" dos campeonatos jovens da ilha de Santiago, disse. Outro jogador, Christian Ramos, de 13 anos, considera que a seleção está a demonstrar o seu valor no panorama internacional. "É uma sensação incrível que mostra que a nossa seleção está num alto nível. Estamos a mostrar ao mundo que não fomos só para marcar presença, fomos para jogar, mesmo", afirmou. O jovem prepara-se para começar os treinos: faz alongamentos com colegas, todos equipados. Christian disse à Lusa que a campanha reforça a sua ambição no futebol. "Se eu continuar, posso chegar lá", tal como os jogadores da seleção, que "passaram por muitos desafios e continuaram, sem desistir". "Sinto-me mais entusiasmado e treino com mais alegria", referiu. Zeno Parsello, de 13 anos, disse que se sente igualmente inspirado. "Senti muito orgulho na minha nação", afirmou, acrescentando que fica com "vontade de a representar". O treinador da EPIF, Odair Rodrigues, 44 anos, considera que o impacto da participação de Cabo Verde no Mundial já é visível entre os jovens. "Com essa participação no Mundial, o sonho aumentou. Representar a terra é a coisa que eles mais querem no futebol", afirmou. Segundo o treinador, tem havido "mais entusiasmo durante os treinos desde que a competição começou" e há "mais pais a procurarem inscrever os filhos na escola de futebol. Já estão a ver o futebol de outra forma", referiu. Odair Rodrigues acredita que a campanha poderá influenciar o futuro de muitos jovens futebolistas. "Hoje, com a participação de Cabo Verde no Mundial, os meninos têm de acreditar que é possível fazer carreira e ver o futuro de outra maneira", disse. Entre os adeptos, pelas ruas da cidade, Mário Tavares, 27 anos, considera que a seleção tem mostrado evolução. "Eu vejo uma seleção motivada, madura, com objetivos a cumprir", afirmou. Admilsom Silva, 30 anos, resume o sentimento: "o orgulho aumenta, porque enfrentámos uma das grandes seleções", disse, numa alusão ao empate (0-0), na estreia, com a Espanha, no dia 15 de junho. Hoje (01:00 de sábado em Lisboa), defronta a Arábia Saudita, em Houston, nos Estados Unidos. Seja qual for o desfecho da campanha dos Tubarões Azuis no Mundial 2026, a influência no arquipélago e entre os mais jovens, nas escolas de futebol, parece estar consolidada. A Semana com NM/Lusa
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