ATUALIDADE
Santa Catarina: Investigador defende novo modelo pedagógico para reduzir dependência da inteligência artificial no ensino
O docente e investigador da Universidade de Santiago, Luís Rodrigues, defendeu hoje a adopção de modelos pedagógicos que promovam o uso crítico da inteligência artificial no ensino superior, alertando para a crescente dependência cognitiva dos estudantes destas ferramentas tecnológicas. Em declarações à imprensa, no âmbito do prémio Brazão Mazula 2026, atribuído pela Rede Internacional Académica da Lusofonia (RIAL), o investigador considerou que a crescente utilização da inteligência artificial nos processos de aprendizagem tem vindo a produzir impactos não apenas nas universidades, mas em todo o sistema educativo e mesmo no mercado de trabalho, tornando necessária uma reflexão sobre novas formas de ensinar, aprender e avaliar. Segundo explicou, muitas pessoas recorrem actualmente à inteligência artificial para obter respostas imediatas, sem activar mecanismos de pensamento aprofundado e de análise crítica, limitando assim o desenvolvimento das suas competências cognitivas. “Nós pedimos à máquina que nos dê uma resposta, lemos de forma acrítica e tomamos essa resposta como final”, afirmou, acrescentando que este comportamento pode comprometer aquilo que designa de “aprendizagem profunda”. Para responder a estes desafios, Luís Rodrigues desenvolveu o “Modelo CCA-IA – Cooperação Cognitiva Ampliada com Inteligência Artificial”, uma proposta teórica e pedagógica que prevê diferentes níveis de integração da inteligência artificial nos processos de ensino, aprendizagem e produção do conhecimento. O modelo, explicou, contempla três etapas diferenciadas de colaboração, envolvendo não apenas a utilização da inteligência artificial, mas também a participação de colegas, docentes e orientadores, com o objectivo de fortalecer o sentido de autoria, reduzir a dependência das ferramentas tecnológicas e estimular o pensamento crítico. O docente defendeu que, mais do que regulamentar a utilização da inteligência artificial através da definição de percentagens ou limites de intervenção das plataformas digitais nos trabalhos académicos, importa criar mecanismos que permitam a sua utilização de forma consciente e produtiva. “É extremamente difícil definir as fronteiras entre aquilo que foi feito pela inteligência artificial e aquilo que foi produzido pelo ser humano. O que propomos é aceitar que a inteligência artificial existe, que é utilizada, mas que pode servir também para ampliar o nosso processo de trabalho, o nosso processo cognitivo e a nossa capacidade de produzir conhecimento”, sustentou. Neste sentido, considerou igualmente necessária uma revisão dos métodos de avaliação adoptados pelas instituições de ensino superior, defendendo que estes devem valorizar não apenas o produto final apresentado pelos estudantes, mas todo o percurso de construção do conhecimento. “Se o estudante apenas copia uma resposta da inteligência artificial, não podemos considerar que houve aprendizagem. Mas se utiliza essa resposta para aprofundar conhecimentos, questionar, dialogar e desenvolver o seu espírito crítico, então podemos considerar que houve um verdadeiro processo de aprendizagem”, enfatizou. Luís Rodrigues mostrou-se convicto de que a sociedade está perante uma profunda transformação na forma de trabalhar, ensinar e aprender, defendendo que o sistema educativo deve adaptar-se a esta nova realidade, incorporando a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento humano e não como um substituto do pensamento crítico. O estudo que sustenta o modelo foi recentemente distinguido com o prémio Brazão Mazula 2026, atribuído pela Rede Internacional Académica da Lusofonia (RIAL) ao melhor artigo científico apresentado no Simpósio Internacional de Economia e Gestão, tendo sido seleccionado entre 112 trabalhos submetidos por investigadores do espaço lusófono. A Semana com Inforpress
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