domingo, 14 junho 2026

A ATUALIDADE

Jornalista Carlos Santos defende reflexão sobre papel dos media e afastamento dos jovens da política

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O jornalista Carlos Santos defendeu hoje que é preciso analisar a prestação dos meios de comunicação social e o afastamento dos jovens da política para perceber por que razão isso está a acontecer.

Estas afirmações foram feitas à Inforpress no âmbito da sua participação numa mesa-redonda sobre “Comunicação Política e Democracia”, que teve lugar na Universidade de Santiago, integrada no programa das Semanas Departamentais do Departamento de Ciências da Educação, Filosofia e Letras (DCEFL) e do Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais (DCJS).

Segundo Carlos Santos, é preciso perceber se a comunicação social não está, de facto, a falhar na aproximação dos jovens à política.

“A forma como mediatizamos as campanhas eleitorais, muitas vezes assente apenas nas declarações dos candidatos, pode contribuir para esse afastamento”, questionou.

O jornalista chamou a atenção para o panorama mediático cabo-verdiano, para as transformações registadas nos últimos anos e para os desafios que persistem para que o jornalismo possa responder de forma mais eficaz às expectativas dos cabo-verdianos.

Embora tenha sublinhado que a desinformação e a inteligência artificial não constituem o foco central da sua comunicação na mesa-redonda, reconheceu que se trata de temas incontornáveis no actual contexto mediático.

A mesma fonte considerou ser “essencial” aprofundar a reflexão sobre o papel da imprensa e dos meios de comunicação tradicionais, no sentido de diminuir o impacto das notícias falsas nas sociedades modernas.

O jornalista chamou ainda a atenção para a crescente influência das redes sociais no acesso à informação política.

Citando estudos de opinião realizados pelos próprios partidos políticos durante a campanha eleitoral, indicou que a maioria dos cabo-verdianos afirmou ter-se informado através das plataformas digitais, seguindo-se a televisão, enquanto a rádio e a imprensa escrita surgem com níveis significativamente inferiores.

Questionado sobre o impacto da utilização das redes sociais pelos actores políticos, Carlos Santos considerou que essa prática não é negativa em si mesma, defendendo que os políticos têm o direito de comunicar directamente com os cidadãos.

Contudo, observou que esta realidade reduz o papel tradicional dos meios de comunicação social enquanto intermediários e obriga os jornalistas a adaptarem as suas práticas profissionais.

Por outro lado, manifestou preocupação com a crescente participação de políticos em programas conduzidos por influenciadores digitais e criadores de conteúdos online.

Segundo Carlos Santos, embora esses espaços possam alcançar públicos diferentes, não devem ser confundidos com o exercício do jornalismo.

“Esses canais estão a fazer o seu trabalho, mas isso não é jornalismo”, afirmou, defendendo que os jornalistas devem continuar a analisar e a aproveitar as declarações produzidas nesses contextos sempre que estas tenham relevância noticiosa.

 

A Semana com Inforpress

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