O programa “Skodji Digital” arrancou esta segunda-feira, na Praia, com o “onboarding” do primeiro grupo de formandos, iniciando uma formação voltada para o reforço das competências digitais e criação de oportunidades de trabalho remoto em Cabo Verde.
Nesta primeira fase, o Skodji Digital (escolha o digital, em português) reúne 450 participantes provenientes de todas as ilhas e da diáspora, seleccionados através de candidaturas realizadas entre Novembro de 2025 e Março de 2026.
As sessões técnicas de “onboarding” decorrem nos dias 27 e 28 de Abril, na Praia, e no dia 30 de Abril, no Mindelo.
Integrado no projecto Digital Cabo Verde, financiado pelo Banco Mundial e promovido pelo Governo de Cabo Verde, o programa é implementado por um consórcio internacional composto pela Mundi Consulting, SPI Inovação e CESAE Digital, em articulação com o ecossistema digital nacional.
Os formandos estão distribuídos por três percursos distintos: Digital Activation, dirigido a jovens com pouca experiência digital, com 101 participantes; Digital Reskilling, voltado para pessoas que pretendem mudar de área profissional e ingressar no sector digital, com 244 participantes; e Digital Upskilling, destinado a participantes com conhecimentos básicos ou intermédios que procuram aprofundar competências, com 105 inscritos.
A formação terá a duração de seis meses, com início em Maio, em regime à distância complementado por actividades presenciais.
O corpo docente inclui especialistas nacionais e internacionais, num total de 14 formadores responsáveis pela componente técnica e pedagógica.
Durante o lançamento, a directora executiva da Mundi Consulting, Amina Khan, destacou que o programa pretende preparar os cabo-verdianos para responder às exigências do mercado internacional.
Segundo a responsável, o país demonstra forte potencial para o digital, sobretudo entre os jovens, mas ainda precisa consolidar competências adicionais, como domínio do inglês, inteligência artificial e “soft skills”, essenciais para competir no mercado global.
“Estamos a dar passos muito relevantes. Cabo Verde tem apetência para o digital e este programa surge para transformar essa capacidade em oportunidades concretas de emprego”, afirmou.
Além da capacitação técnica, o projecto prevê acções de ligação entre os formandos e oportunidades globais de trabalho remoto, bem como contactos com parceiros públicos, privados e potenciais empregadores.
O programa também aposta na inclusão social, integrando pessoas com deficiência e promovendo a paridade de género entre os participantes.
Entre os formandos está Zuleika Barros, conhecida artisticamente como Zulu, natural da Boa Vista, que considera a iniciativa essencial para acompanhar as transformações actuais.
A participante defendeu que profissionais de todas as áreas devem preparar-se para um mundo cada vez mais digitalizado, salientando que, no sector artístico, as competências digitais são fundamentais para divulgar, posicionar e comercializar trabalhos no mercado internacional.
As sessões de “onboarding” decorreram na Universidade de Cabo Verde (UniCV), no Campus do Palmarejo, na cidade da Praia, e na Universidade do Mindelo, em São Vicente.
O momento serviu para apresentar a plataforma de aprendizagem, alinhar expectativas e mostrar as oportunidades futuras do programa.
A Semana com Inforpress







Consultoria internacional para mostrar PowerPoint: até quando vamos mamar nessa farsa?
Eu olho para isto e fico mesmo lixado !Temos universidades, empresas TIC, formadores, malta com estrada feita, gente que conhece Cabo Verde por dentro e por fora. Mas para meter jovens numa sala, apresentar uma plataforma, alinhar expectativas e mostrar uns PowerPoints, lá vem o consórcio internacional como se aqui fosse tudo mato.
A formação é necessária, claro. Ninguém discute isso. O problema é esta mania de transformar qualquer iniciativa digital num biberão para consultores de fora. Depois dizem que é para criar competências nacionais, mas a maior fatia da experiência, do dinheiro e da visibilidade fica sempre do lado de quem vem “ajudar”.
Eu gostava era de saber quanto deste programa fica realmente no ecossistema cabo-verdiano. Quantos formadores nacionais lideram de facto? Quantas empresas locais ganham currículo? Quantos jovens acabam ligados a oportunidades reais e não apenas a certificados bonitos?
Porque, sinceramente, se precisamos de importar gente para explicar “onboardin g” e trabalho remoto a jovens cabo-verdianos, então o problema já nem é digital. É falta de vergonha na cara.
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