O Papa Leão XIV inicia esta quarta-feira, 15 de Abril, uma visita de três dias aos Camarões, onde deverá apelar à paz no conflito em curso nas regiões anglófonas do país. Esta visita constitui a segunda etapa de uma viagem de dez dias por quatro países africanos.
Em Yaoundé, capital dos Camarões, o Papa Leão XIV tem encontro marcado com o Presidente Paul Biya e deverá discursar perante as autoridades do país. A antiga colónia alemã, dividida entre o Reino Unido e a França após a Primeira Guerra Mundial, têm sido, na última década, palco de violência entre forças governamentais e grupos separatistas nas duas regiões anglófonas. O conflito já provocou milhares de mortos.
No início da semana, a aliança separatista anunciou que iria respeitar uma “passagem segura” de três dias, de forma a permitir a circulação livre de civis e visitantes durante a visita do Papa.
Amanhã, o sumo pontifícia deverá deslocar-se a Bamenda, a maior cidade anglófona do país, para celebrar uma missa e participar num “encontro pela paz". O ponto alto da visita deverá ocorrer na sexta-feira, onde o Vaticano estima a presença de cerca de 600 mil pessoas numa missa na cidade costeira de Douala.
Papa afirma que continuará a denunciar a guerra apesar das críticas de Trump
Leão XIV, natural de Chicago, foi eleito em Maio de 2025 para liderar a Igreja Católica, que conta com cerca de 1,4 mil milhões de fiéis, após a morte do Papa Francisco. Embora tenha mantido um perfil relativamente discreto nos primeiros dez meses do seu pontificado, Leão XIV tem-se pronunciado mais abertamente sobre diversas questões internacionais, tornando-se um crítico contundente da guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
Depois de ter classificado o pontífice como “mau” em matéria de política externa no domingo, Donald Trump reiterou as críticas, apesar das reacções negativas de cristãos norte-americanos de diferentes sensibilidades políticas.
“Alguém, por favor, diga ao Papa Leão XIV que o Irão matou pelo menos 42 mil manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses e que a posse de uma bomba nuclear por parte do Irão é absolutamente inaceitável”, escreveu o Presidente dos EUA nas redes socais.
Em declarações à Reuters, na segunda-feira, 13 de Abril, o chefe da igreja católica disse que pretende continuar a denunciar a guerra, independentemente dos comentários de Donald Trump.
Leão XIV, de 70 anos, iniciou uma das viagens mais exigentes de um pontífice nas últimas décadas, com cerca de 18 mil quilómetros, 11 localidades e 18 voos previstos no itinerário. Após os Camarões, visitará ainda Angola e a Guiné Equatorial.
A Semana com RFI







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