O Governo moçambicano deve apresentar no parlamento uma proposta de estratégia de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado, norte do país. A posição surge após Kigali ameaçar retirar as tropas do teatro operacional caso não seja assegurada a continuidade do financiamento.
O executivo pondera a apresentação de uma proposta de estratégia de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado. Uma posição dos deputados das bancadas parlamentares surge após declarações do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, que ameaça retirar as suas tropas, mais de seis mil homens, do teatro operacional caso não seja assegurada a continuidade do financiamento.
Para os partidos políticos representados no parlamento moçambicano a questão é séria, mas segundo Dias Letela, da bancada da Frelimo (partido no poder), a defesa da soberania não se delega: “É preciso dizer que a presença de forças estrangeiras em Cabo Delgado decorre de decisões soberanas do Governo moçambicano e achamos nós que não pode ser condicionado por interesses externos sejam de que natureza for”.
O porta-voz da bancada parlamentar do Podemos, Ivandro Massingue, contesta a proposta do Ruanda: “É absurdo ouvirmos esta proposta de que os megaprojectos devem por si só financiar, pagar, a sua própria segurança. Essa é uma responsabilidade do Estado moçambicano garantir a segurança dos megaprojectos ao nível de Cabo Delgado e a nível nacional”.
A Renamo através do seu porta-voz de bancada, Arnaldo Chalaua, lamenta a postura adoptada pelo Ruanda: “Isso mostra, de forma clara, que para além do apoio, da relação bilateral entre os dois países, há interesses económicos. O Presidente do Ruanda, na sua comunicação, mostra esta vulnerabilidade, deixa claro que não houve nenhum acordo que fosse instrumento legal, mas uma aproximação de vontade das partes".
O MDM recorda que sempre se opôs à presença das tropas ruandesas, desde 2021 em Moçambique, e que agora com o financiamento da União Europeia a chegar ao fim em Maio ameaçam retirar-se de Cabo Delgado onde combatem o terrorismo.
A Semana com RFI







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