sábado, 20 junho 2026

A ATUALIDADE

Ilha do Sal: Pescadores de Santa Maria e Palmeira reforçam sustentabilidade com instalação de painéis solares

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As associações de pescadores de Santa Maria e da Palmeira, no Sal, já contam com sistemas de energia fotovoltaica, uma iniciativa que visa reactivar a produção de gelo, reduzir custos operacionais e promover a sustentabilidade ambiental no sector.

A instalação desses centros fotovoltaicos enquadra-se no Programa de Pesca Sustentável, através dos projectos “Amdjer d’Mar” e “Guardiões do Mar”, implementados pela Associação Projecto Biodiversidade.

A iniciativa conta com o financiamento do Fundo do Canadá para Iniciativas Locais, da Iniciativa Darwin do Governo do Reino Unido e o reforço do projecto PAMAR.

Em declarações à Inforpress, a coordenadora do Projecto Pesca Sustentável, Anice Lopes, explicou que a intervenção surgiu da necessidade urgente de garantir a conservação do pescado.

“Uma das necessidades sempre elevadas para pescadores e peixeiras é a conservação. As associações já possuíam máquinas de gelo, mas estavam inativas devido ao elevadíssimo custo da eletricidade, que tornava o processo inviável”, afirmou.

A coordenadora sublinhou ainda que o objectivo é garantir gelo a um custo mais baixo, reduzindo as despesas da atividade piscatória.

Na vila da Palmeira, os resultados já se fazem sentir. José Livramento, presidente da associação local, revelou que os painéis, operacionais desde Dezembro de 2025, trouxeram um alívio financeiro crucial.

"Tínhamos um custo de energia elevadíssimo, quase 200 contos por mês. Com a instalação, tivemos uma redução de mais de 60% a 70%", detalhou o dirigente.

José Livramento destacou ainda o ganho ambiental, referindo que a disponibilidade de gelo na associação reduz a utilização de recipientes plásticos e o risco de poluição marinha.

Em Santa Maria, o impacto é igualmente positivo. Ferdinando do Rosário, presidente da associação local, realçou que o projecto resolve um problema crónico de falta de conservação, especialmente num contexto de alterações climáticas que afectam a frescura do produto.

"É um benefício que se reflecte no rendimento da própria família. O peixe chega ao consumidor com melhor qualidade e evitamos o desperdício", pontuou Ferdinando do Rosário, acrescentando que a poupança gerada na fatura energética permitirá à associação investir em outras frentes de apoio à comunidade.

Com esta transição energética, as comunidades costeiras do Sal dão um “passo significativo” na resiliência económica, valorizando o papel das peixeiras e pescadores na cadeia de valor da pesca e na gestão responsável dos recursos marinhos.

 

A Semana com Inforpress

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