Até 150 protestos contra a guerra no Médio Oriente realizaram-se neste sábado em cidades espanholas, enquanto a embaixada dos EUA pede evitar manifestações e 200 figuras culturais assinam manifesto contra os ataques ao Irão.
Várias cidades espanholas acolheram este sábado até 150 protestos e mobilizações de cidadãos contra a guerra no Médio Oriente. As manifestações foram convocadas em várias localidades do país pela plataforma pacifista Parar la Guerra, criada em outubro de 2023, após o início do conflito em Gaza. O apelo levou mesmo a Embaixada dos Estados Unidos em Espanha a advertir os seus cidadãos para possíveis concentrações e a recomendar prudência durante o fim de semana.
Os protestos, organizados sob o lema «Não à guerra», decorrem numa altura em que o Governo socialista insiste na sua posição de defesa da paz e de rejeição da escalada militar na região. Nos últimos dias, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, tem reiterado que a Espanha deve apostar na diplomacia e evitar um envolvimento direto no conflito, posição que também tem defendido em atos políticos recentes.
200 personalidades assinam manifesto contra a guerra
Várias figuras de relevo do mundo cultural e político espanhol apoiaram as mobilizações através da assinatura de um manifesto em que denunciam os acontecimentos recentes no Médio Oriente. Entre os signatários estão o cineasta Pedro Almodóvar, os atores Luis Tosar e Juan Echanove, os músicos Joan Manuel Serrat e Miguel Ríos, a coordenadora do Sumar, Lara Hernández, a presidente do PSOE de Madrid, Paca Sauquillo, o ex-juiz Baltasar Garzón, o cantaor Miguel Poveda e o escritor Juan José Millás, entre outros.
No documento, os signatários manifestam a sua rejeição dos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que qualificam como uma violação do Direito internacional. O texto defende que estas ações representam uma grave transgressão da legalidade internacional e apela à cidadania democrática para que condene a ofensiva e defenda o respeito pelas normas internacionais.
O manifesto reclama ainda uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente. Neste sentido, os signatários apelam a que se trabalhe por uma paz «justa e estável» na região que, sublinham, deve passar pelo fim da violência em Gaza e pelo reconhecimento dos direitos do povo palestiniano, em conformidade com os princípios do Direito internacional.
Ao mesmo tempo, o documento inclui uma crítica explícita ao regime iraniano. Os signatários condenam o que descrevem como um sistema repressivo responsável pela morte de milhares de pessoas nos últimos meses. Ainda assim, sublinham que cabe ao próprio povo iraniano decidir o rumo político do país.
Por fim, o manifesto expressa solidariedade para com a população do Irão, destacando em particular o papel das mulheres nos protestos e na defesa dos direitos civis. Os signatários manifestam o seu apoio a todos os que, dentro do país, reclamam democracia, igualdade e liberdades fundamentais.
A Semana com Euronews






