segunda-feira, 22 junho 2026

A ATUALIDADE

UCID critica "atraso" do Governo na oficialização da língua cabo-verdiana

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A deputada da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) Dora Pires defendeu  este sábado a oficialização da língua cabo-verdiana como forma de valorizar a identidade nacional e criticou o Governo pelo “atraso” na sua oficialização.

Dora Pires falava em declarações à Inforpress, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Língua Materna, assinalado anualmente a 21 de Fevereiro, em todo o mundo.

A parlamentar sublinhou que Cabo Verde está "atrasado em relação a outros países" nesta matéria e defendeu que o Governo, através dos Ministérios da Educação e da Cultura, poderia ter assumido a iniciativa de apresentar uma proposta ou mesmo avançar com um diploma para oficializar a língua materna.

Para a deputada, a valorização do crioulo cabo-verdiano passa necessariamente pela sua oficialização, embora ressalte que este processo deve ser acompanhado de trabalho técnico e avaliação.

A mesma sublinhou que "falar da língua materna é falar do ser e do estar do cabo-verdiano", sublinhando que a existência de uma língua própria reforça a noção de um país e de nação.

Enquanto linguista, defendeu a urgência da plena oficialização, argumentando que as crianças têm o direito de ser escolarizadas na sua língua materna.

Segundo explicou, o ensino exclusivo em português pode prejudicar o processo de aprendizagem, uma vez que obriga os alunos a traduzirem mentalmente os conteúdos antes de formularem respostas, consumindo tempo que poderia ser dedicado ao desenvolvimento cognitivo e intelectual.

A deputada reiterou que a introdução da língua cabo-verdiana no sistema educativo poderá contribuir para uma aprendizagem mais eficaz e para a valorização da identidade nacional.

A mesma fonte destacou ainda, a importância do uso do Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-verdiano (ALUPEC), defendendo que todas as variantes da língua devem adoptar o mesmo sistema de escrita, permitindo a leitura transversal entre elas.

"Cada letra, cada símbolo tem um som e não há confusão, quer na escrita, quer também na leitura", afirmou.

A deputada considerou igualmente fundamental avançar na padronização da escrita, mas defendeu que, mesmo antes de concluído esse processo, a língua pode ser introduzida nas escolas, valorizando cada variante existente.

"Temos uma língua que tem variantes assim como todas as línguas têm", disse, defendendo que esta deve estar em pé de igualdade com a língua portuguesa.

Para a parlamentar, a língua materna desempenha um papel central na cultura e identidade nacional e que a sua valorização contribui para o fortalecimento da cultura e da intelectualidade do país.

Apelou a todos os cabo-verdianos, dentro e fora do arquipélago, para conhecerem e utilizarem o ALUPEC, incentivando a produção de textos em todas as variantes como forma de afirmação da língua.

No que se refere ao consenso político, a deputada afirmou que ainda não existe uma proposta formal de oficialização em debate no Parlamento, o que, segundo explicou, tem impedido discussões aprofundadas sobre a matéria.

Recordou que o último encontro alargado sobre o tema ocorreu há mais de uma década e lamentou a ausência de debate parlamentar nos últimos anos sobre o assunto.

O Dia Internacional da Língua Materna foi proclamada pela Unesco em 1999 com o objectivo de promover a diversidade linguística e cultural e incentivar o multilinguismo a nível global.

 

A Semana com Inforpress

Isabel
Comentário
Minha sinhora , tudo menos tirar dividendos politicos com esta causa.
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