A embaixada russa no Quénia negou esta sexta-feira, 20 de Fevereiro, estar a recrutar cidadãos quenianos para lutar na guerra contra a Ucrânia. A informação foi avançada por vários meios de comunicação, nomeadamente a agência AFP, que dão conta de centenas de quenianos que estarão a combater, de forma forçada, as tropas ucranianas.
“Servir de carne para canhão”, escreveram, esta semana, vários meios de comunicação, ao denunciarem que Moscovo estaria a recrutar de forma forçada quenianos, sem qualquer experiência militar, para lutar na guerra contra a Ucrânia.
A informação é agora desmentida pela embaixada russa no Quénia, que afirma nunca ter encorajado qualquer cidadão queniano a ingressar nas tropas russas para participar na guerra. As autoridades russas negam ainda ter colaborado com entidades ou indivíduos para coagir ou atrair cidadãos.
Em comunicado, a embaixada russa em Nairobi fala “numa campanha que culminou em acusações directas”, reiterando que nunca participou em “recrutamento ilegal” para servir nas suas Forças Armadas.
Ainda assim, a embaixada russa reconhece que estabeleceu contactos com responsáveis quenianos sobre os cidadãos que viajaram para a Rússia para lutar no conflito, mostrando-se aberta a um diálogo “construtivo e despolitizado” com o Quénia para abordar as suas preocupações a este respeito.
O parlamento queniano apresentou hoje um relatório do Serviço Nacional de Inteligência do Quénia (NIS), segundo o qual a Rússia terá recrutado pelo menos 1.000 cidadãos quenianos para lutar na Ucrânia.
De acordo com o documento do NIS, muitos quenianos acabaram no exército russo após terem sido enganados por agências de emprego e de viagens que prometiam empregos bem remunerados nas áreas de segurança e logística no estrangeiro.
Esta semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Diáspora do Quénia, Musalia Mudavadi, anunciou que em Março irá descolar-se a Moscovo para abordar esta questão.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, tem sido relatada a presença de centenas de africanos a lutar do lado russo. Apesar de alguns o fazerem de forma voluntária, como mercenários, outros denunciaram enganos e coacção.
Kiev já afirmou que cidadãos oriundos da Somália, Serra Leoa, Togo, Cuba e Sri Lanka, entre outros países, estão detidos em campos ucranianos, embora muitos morram ou fiquem gravemente feridos antes disso.
A Semana com RFI







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