O secretário de Estado, Marco Rubio, e uma delegação do Congresso americano marcarão presença na 62ª Conferência de Segurança de Munique, que terá lugar entre os dias 13 e 15, na Alemanha.
Diz índice de segurança anual respondem os países do G7 e dos BRICS que “a renúncia, por parte da administração dos Estados Unidos, a elementos centrais da ordem internacional vigente está a impactar diferentes regiões do mundo”, com os efeitos mais evidentes a fazerem sentir-se na Europa e na região do Indo-Pacífico, onde “os governos há muito dependem da ‘Pax Americana’ e dela beneficiam enormemente”.
Segundo o Expresso-pt, a poucos dias de arrancar na Alemanha a 62ª Conferência de Segurança de Munique, que terá lugar entre 13 e 15 de fevereiro, o novo Índice de Segurança para 2026 – intitulado “Sob Destruição” – elege os Estados Unidos como “um risco mais sério do que no ano anterior”, dando continuidade a uma tendência que se tornou evidente na edição de 2025 do relatório, publicado após a eleição de Donald Trump. No encontro estará presente o secretário de Estado, Marco Rubio, e uma delegação do Congresso dos Estados Unidos.
Criado em 2021, a este índice de segurança anual respondem os países do G7 e dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irão e Indonésia) – exceto Rússia, Japão e China – e todos eles são unânimes: não só os EUA são hoje um risco maior do que no passado, como a Europa tem de ser mais “assertiva” e “militarmente independente” face a uma “administração americana mais autoritária, que já não partilha o compromisso com as normas e valores da democracia liberal”.
“O mundo entrou num período de política destrutiva. A destruição generalizada é a ordem do dia. O Governo dos Estados Unidos promete libertar o país das restrições da ordem vigente e reconstruir uma nação mais forte e próspera. Como resultado, a ordem internacional pós-1945 liderada pelos Estados Unidos está agora em processo de destruição”, pode ler-se no relatório, que nomeia Donald Trump como “o mais poderoso entre aqueles que destroem regras e instituições existentes”.
Diz o documento, prossegue a mesma fonte, que “a renúncia, por parte da administração dos Estados Unidos, a elementos centrais da ordem internacional vigente está a impactar diferentes regiões do mundo”, com os efeitos mais evidentes a fazerem sentir-se na Europa e na região do Indo-Pacífico, onde “os governos há muito dependem da ‘Pax Americana’ e dela beneficiam enormemente”.
Sobre a Europa, o relatório é claro: “Num momento em que a Rússia está a recuperar em várias frentes de batalha com a Ucrânia, o recuo gradual de Washington, o apoio vacilante à Ucrânia e a retórica ameaçadora sobre a Gronelândia estão a aumentar a sensação de insegurança na Europa. A abordagem dos Estados Unidos à segurança europeia é agora percebida como volátil. As nações europeias estão a preparar-se para uma maior autonomia”, refere o índice de segurança, que acusa Trump de ter “sede de destruição” e de “estar do lado de Vladimir Putin”.
“A maior parte da Europa observa o rumo dos Estados Unidos face ao autoritarismo com crescente preocupação, ou mesmo horror”, afirma o relatório, dizendo que o país se afastou dos princípios liberais que moldaram o pós-Segunda Guerra Mundial. “Enquanto os defensores das políticas do Presidente Trump acreditam que estas ‘tornarão a América grande novamente’, os críticos argumentam que levarão ao suicídio de uma superpotência.” Ao mesmo tempo, os líderes europeus estão a chegar à conclusão de que a dependência militar dos Estados Unidos está a chegar a um limite, acrescenta o relatório.
“Recentemente, os europeus tiveram de reconhecer que é quase impossível rejeitar acordos comerciais que contrariam as regras do livre comércio ou manifestar-se contra violações flagrantes da soberania de outros países, se dependerem fortemente da assistência militar do país que está a usar táticas coercivas e a desrespeitar as normas”, afirma o texto. “Para os europeus, que há muito tempo contam com Washington para assumir a responsabilidade pela defesa dos seus interesses, essa é uma constatação particularmente dolorosa.”
Conforme o referido jornal, o relatório sugere que os líderes europeus precisam de se adaptar às técnicas da administração Trump e ser mais ousados na forma como tomam decisões e comunicam. “Reagir eficazmente exige muito mais coragem política e pensamento inovador. Os atores que defendem as regras e as instituições internacionais têm de ser tão ousados como aqueles que tentam destruí-las.”
O documento alerta: “Numa era de políticas de destruição, aqueles que ficam de braços cruzados correm o risco constante de serem sepultados. Dada a quantidade de demolições que já estão a acontecer, não bastam esforços de pequena escala para reconstruir o antigo status quo. Há muito em jogo. Na verdade, tudo está em jogo.”, conclui Expresso-pt.







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