O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde assinala hoje os 40 anos de adesão de Portugal e Espanha à então CEE.
O Presidente da República discursou esta quarta-feira no Parlamento Europeu, na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE), deixando vários recados - nomeadamente a Trump, Putin, e até aos nacionalismos.
"Somos europeus desde as raízes. E estas raízes mesclaram-se logo à partida com as de outros continentes e outros universos. Por isso, não há portugueses puros, há portugueses diversos na sua riqueza cultural", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, perante aplausos. "Somos europeus na língua, na cultura, na história e, porque europeus, universais."
"O que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX que culminou, na adesão há 40 anos, no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe González, veio mudar a história. Mudou a história europeia, mudou a história nas relações com o nosso vizinho por terra, mudou a nossa história, mudou para a liberdade, mudou para a democracia, mudou para o Estado de Direito, mudou para o desenvolvimento, mudou para a justiça social", continuou.
"É hoje moda do momento esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo. Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais liberdade, democracia, Estado de Direito. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do desenvolvimento humano e dos padrões de igualdade social", referiu, afirmando que a Europa é um "destino sonhado por tantos, de todos os continentes".
Sustentando que a Europa perde, por vezes, tempo, e que "temos de fazer mais e melhor", o chefe de Estado defende que "precisamos de mais juventude, de mais conhecimento, de mais ciência, de mais tecnologia, de mais segurança comum, de mais crescimento, de mais justiça, de mais capacidade de mudança dos nossos sistemas [...]. Precisamos de mais unidade, precisamos de mais futuro".
"Tratemos disso. Com prioridade e com urgência. Contemos, antes de mais, connosco, nós próprios, que temos de acreditar na Europa livre, igualitária e democrática", frisou.
O Presidente da República pediu que se reconstrua a Europa "sem medos, sem inibições, sem complexos".
"Tudo o que se possa dizer das comunidades europeias, hoje UE, de crítico, falível, de errado, de insuficiente -- que há muito -- é nada comparado com aquilo que lhe devemos", disse.
Marcelo avisa que quem tentar dividir pela força mundo em hemisférios irá falhar
Num recado aos EUA, o Presidente da República lembra que Portugal foi o primeiro Estado europeu neutral a reconhecer a independência dos Estados Unidos da América, avisando que preferiria "que fossemos sempre aliados a a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma".
"Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros que desejamos virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do globo, que não há poderes eternos e que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora, de cada dia", prosseguiu.
Marcelo defendeu que, hoje, não há quem consiga "refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado" ou "resolver problemas do mundo sozinho". "Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX", acrescentou.
Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro, afirmou que "o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado".
Novamente numa alusão a Trump, o Presidente da República pediu que "não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo - que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais - sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma".
O Presidente da República avisa que não há como "ignorar a Europa", o seu poder "nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social".
"Nós, europeus, nunca mas nunca mesmo desistiremos do nosso papel fundamental no universo. Porque desistir do seu papel universal seria, para a Europa, desistir dos seus valores", continuou, perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, que também discursou nesta sessão. "Por isso nós, portugueses, nunca, mas nunca mesmo desistiremos da Europa porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal."
A Semana com Noticias ao Minuto







Terms & Conditions
Report
My comments