A União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) acusou hoje o Governo de transferir para os cidadãos a responsabilidade pela decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de exigir caução para a atribuição de visto.
Esta reacção do partido liderado por João Santos Luís surge na sequência do comunicado do Governo sobre o anúncio da embaixada dos EUA em Cabo Verde de que, a partir do dia 21 deste mês, passam a exigir aos cabo-verdianos uma caução de até 15 mil dólares norte-americanos para a obtenção de vistos de turismo e negócios (B1/B2).
De acordo com a UCID, a reacção do Governo de Cabo Verde suscita sérias preocupações, sobretudo pela tentativa de transferir responsabilidades para os cidadãos.
Conforme o partido, embora existam casos de incumprimento das leis migratórias, não é correcto atribuir, quase exclusivamente, aos cabo-verdianos a responsabilidade pelo fenómeno permanência dos cidadãos nos EUA além do prazo estipulado pelo visto (overstay, em inglês).
Para a UCID, a emigração massiva resulta, em grande medida, de problemas estruturais persistentes, como a falta de emprego digno, baixos rendimentos, elevado custo de vida, fracas oportunidades para os jovens e a excessiva dependência da diáspora, sem políticas eficazes de fixação da população.
“Durante décadas, o próprio Estado beneficiou da emigração por meio das remessas, sendo contraditório que hoje se distancie do fenómeno, tratando-o como mera consequência de comportamentos individuais”, destacou o partido, para quem “culpar apenas quem emigra por necessidade fragiliza a relação com a diáspora, que continua a contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento nacional”.
A UCID aproveitou, igualmente, para questionar que condições internas foram criadas para reter os cidadãos e quais políticas públicas tiveram impacto real na criação de oportunidades.
Lembrando que o Governo assumiu, publicamente, os Estados Unidos como parceiro estratégico, o partido questionou que medidas o Governo pretende adoptar e como irá proceder em relação aos voos entre Cabo Verde e os Estados Unidos face à nova exigência imposta pelas autoridades norte-americanas.
De acordo com o partido, mais do que apelos à responsabilidade individual, o momento exige autocrítica governamental e políticas públicas eficazes, reforçando que governar é assumir responsabilidades, criar condições e proteger os cidadãos.
“A diáspora cabo-verdiana merece respeito e soluções concretas, não culpabilização pública por falhas essencialmente governativas”, arrematou.
O Programa de Caução para Concessão de Vistos é um mecanismo utilizado pelos Estados Unidos de América para reforçar o cumprimento das regras de imigração e assegurar o regresso dos titulares de vistos temporários aos seus países de origem dentro dos prazos estabelecidos.
A Semana com Inforpress







Comentário
O.bom senso aconselha não politizar o assunto da caução para vistos para os Estados Unidos.É uma lista de paises onde caboverdianos estão incluidos por não cumprirem as leis americanas.
De imediato nada se pode fazer, meus senhores, se não posteriormente e por vias diplomáticas tentar excluir Cabo Verde dessa lista.
Não compliquemos esse processo que é delicado.
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