Um conselheiro do líder supremo do Irão avisou esta sexta-feira o Presidente norte-americano para “ter cuidado” depois de Donald Trump ter garantido que os Estados Unidos irão ajudar os manifestantes iranianos caso sejam atacados pelas autoridades.
“Ele deveria ter cuidado com os seus soldados”, acrescentou Larijani.
As declarações do conselheiro do líder supremo do Irão foram feitas em resposta a uma mensagem do Presidente norte-americano, que afirmou, na manhã desta sexta-feira, que os Estados Unidos vão defender os “manifestantes pacíficos” caso o Irão dispare mortalmente sobre cidadãos que protestam devido ao custo de vida no país.
“Se o Irão atirar em manifestantes pacíficos e os matar violentamente, como costuma fazer, os Estados Unidos da América irão em seu auxílio”, escreveu Donald Trump. “Estamos prontos, armados e preparados para intervir”, acrescentou.
Na quinta-feira registaram-se as primeiras mortes desde o início dos protestos contra o alto custo de vida no país, que já duram há seis dias.
Estes protestos são os maiores no Irão desde 2022, quando a morte de uma jovem chamada Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, desencadeou manifestações por todo o país.
A contestação ainda não se espalhou por todo o país, embora esteja a alargar-se, nem é tão intensa como a que rodeou a morte de Amini, que foi detida por não usar o seu hijab, ou véu islâmico, da forma que as autoridades consideravam adequada.
O Governo civil do Irão, sob o comando do Presidente reformista, Masoud Pezeshkian, tem tentado sinalizar que quer negociar com os manifestantes, mas já reconheceu que pouco pode fazer.
A moeda iraniana, o rial, desvalorizou rapidamente, com 1 dólar (85 cêntimos) a custar agora cerca de 1,4 milhões de riais devido, sobretudo, às consequências das sanções económicas impostas pelos EUA e pela ONU devido à manutenção do programa nuclear do Irão.
Embora tenham origem na economia, os protestos incluíram também manifestantes a gritar contra a teocracia iraniana.
O Irão tem afirmado que já não está a enriquecer urânio em nenhum local do país, tentando sinalizar ao Ocidente que continua aberto a possíveis negociações sobre o seu programa nuclear, mas a situação continua suspensa e as tensões têm-se agravado.
A Semana com Observador/Lusa







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