sábado, 20 junho 2026

A ATUALIDADE

Parlamento: MpD pede prudência diplomática e critica forma de apresentação do voto de condenação ao golpe na Guiné-Bissau

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O líder parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, posicionou-se contra qualquer golpe de Estado, reafirmando a defesa da normalidade constitucional, mas criticou a forma como foi apresentado o voto de condenação proposto pelo PAICV em relação a Guiné-Bissau.

Após a declaração política do líder parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) durante o primeiro debate parlamentar de Dezembro, que prolonga até sexta-feira, 12, Celso Ribeiro defendeu que a posição do PAICV, apesar de visar condenar o golpe, simplifica “de forma perigosa” a complexidade do contexto político guineense.

Além de, pontuou, comprometer a neutralidade construtiva que Cabo Verde deve preservar junto das organizações internacionais, como CPLP, CEDEAO e União Africana.

“Apelamos à prudência diplomática. A situação na Guiné é marcada por múltiplas narrativas e, recentemente, a Comissão Nacional de Eleições declarou que ainda não está em condições de apresentar os resultados. A pergunta que fica é: estamos a condenar quem”, questionou.

O líder parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, poder) lembrou ainda que, historicamente, já ocorreram pelo menos nove golpes em países como Mali, Sudão e Guiné-Conacri, entre outros, todos em 2021, sem que o maior partido da oposição tenha trazido votos de condenação à Assembleia Nacional.

O parlamentar alertou que a iniciativa actual poderia abrir “um precedente perigoso”.

Apesar das críticas, Celso Ribeiro esclareceu que o MpD votará a favor de um texto de consenso, institucional e que represente a posição da Assembleia Nacional, reforçando que “o voto é da Assembleia Nacional”.

“Nós estamos de acordo e votaremos, sim, a favor se apresentássemos um texto de consenso, um texto institucional, porque ao votarmos, o voto é da assembleia”, avançou.

A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, assim como de outra organização regional, a União Africana, consequência do golpe de Estado de 26 de Novembro, quando um Alto Comando Militar tomou o poder, destituiu o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o país, e suspendeu o processo eleitoral.

As eleições gerais, presidenciais e legislativas, tinham decorrido sem incidentes a 23 de Novembro e, um dia depois, o candidato da oposição, apoiado pelo histórico partido PAIGC, excluído das eleições, Fernando Dias, reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente Embaló.

 

A Semana com Inforpress

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