terça-feira, 16 junho 2026

A ATUALIDADE

Santo Antão: PAICV denuncia "abandono total" da Ribeira Grande e acusa Governo e autarquia de inação

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A primeira-secretária do PAICV (oposição) na Ribeira Grande, Maria Teresa da Cruz, denunciou esta quarta-feira o “abandono total” do concelho, acusando o Governo central e a câmara municipal de privilegiarem “passeios, discursos e fotografias” em vez de “trabalho sério”.

Em conferência de imprensa, a dirigente lamentou que, passados quase um ano do mandato da actual equipa camarária, o concelho da Ribeira Grande continue a ser uma “terra de promessas não cumpridas”, sem que se observem “acções concretas que respondam aos problemas reais da população”.

“O concelho está abandonado. Abandonado pelo Governo Central, que esqueceu de nós no mapa das prioridades. Abandonado por uma câmara municipal incapaz”, criticou Maria Teresa da Cruz.

A dirigente política apontou o “colapso silencioso” da economia local e a consequente saída de jovens por falta de oportunidades, sublinhando que não há incentivos para o sector privado, apesar de reconhecer a sua dinâmica, sobretudo na construção civil.

Maria Teresa da Cruz detalhou o que considera ser o "abandono total" dos sectores-chave para o desenvolvimento do concelho.

Na agricultura, evidenciou os terrenos férteis invadidos pelas ervas daninhas e a falta de mão de obra e políticas eficazes para travar pragas”.

Na pecuária, recordou promessas de deslocalização de pocilgas que nunca foram concretizadas, enquanto na pesca, acusou que os pescadores de Ponta do Sol “pagam mais caro ao litro de combustível do que os pescadores de outras localidades, sem qualquer compensação”.

No domínio cultural e turístico, a primeira-secretária afirmou que a Ribeira Grande, apesar de ser um dos concelhos mais bonitos do país, “está parada no tempo”, criticando a inércia na dinamização dos miradouros e do calçadão Tarrafal–Sinagoga, “prometido desde 2022”.

A dirigente do PAICV criticou ainda o abandono do sector desportivo” e o “estado vergonhoso das estradas do concelho”, com especial destaque para as zonas mais isoladas, como Figueiras, Ribeira Alta, Aguada, Agalhões, Rabo Curto, Formiguinhas e Corvo.

No plano social, apontou a “falta de políticas de inclusão”, “habitação precária”, “iluminação pública deficiente ou inexistente”, “gestão péssima da água” e “aumento preocupante do consumo de álcool e drogas devido à ausência de projectos culturais e sociais”.

Também criticou “a falta de profissionalização dos bombeiros”, considerando que “é uma crueldade e uma irresponsabilidade continuar a ignorar esta realidade”.

Maria Teresa da Cruz exigiu um “plano de acção imediato, com prazos e orçamentos definidos”, que contemple o apoio a agricultores e pescadores, a dinamização do turismo, a conclusão de obras prometidas, a reabilitação de estradas e a resolução dos problemas de água, habitação e iluminação pública.

“Não estamos aqui para aplaudir desculpas. Estamos aqui para dizer basta. O povo merece líderes que trabalhem todos os dias e não apenas em tempo de eleições”, concluiu a primeira-secretária do PAICV na Ribeira Grande.

 

A Semana com Inforpress

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