sábado, 20 junho 2026

A ATUALIDADE

Movimento “Di Povo pa Povo” promove mobilização nacional no sábado sob o lema “Gossi ké hora”

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O movimento “Di Povo pa Povo” realiza este sábado, 11, uma mobilização nacional sob o lema “Gossi ké hora” para apelar à união dos cabo-verdianos e à participação activa no processo democrático, independentemente das cores partidárias.

Em declarações à Inforpress, o porta-voz do movimento, Alberto Koenig, explicou que todos os participantes são convidados a vestir branco, símbolo de paz e união, numa mobilização que acontecerá em simultâneo em várias ilhas e na diáspora, sob o lema “Gossi ké hora (a hora é agora)”.

Na Cidade da Praia, o ponto de encontro será no Largo de Quebra Canela, em São Vicente, a concentração acontecerá na Praça Dom Luís, em Santo Antão, Ribeira Grande, no Largo Sete Sóis e Sete Luas, e na ilha do Sal nas ruas pedonais Ildo Lobo, Santa Maria, e Toy Pedro, nos Espargos.

Também estão previstas acções em comunidades cabo-verdianas em Portugal, França e Luxemburgo.

Alberto Koenig esclareceu que o movimento “Di Povo Pa Povo (do povo para o povo)” surgiu da necessidade crescente de fortalecer a cidadania e reforçar o papel do povo para além do momento do voto e da forma como o povo de São Vicente reagiu à tragédia causada pela tempestade Erin.

“O processo político em Cabo Verde está nas mãos dos políticos, quando a democracia é o poder do povo. O povo tem poder só na altura do voto, mas devia ter poder também para além daquele momento”, afirmou.

“Vimos como as pessoas não esperaram pelo Estado. Uniram-se, independentemente da cor partidária ou classe social. Essa atitude foi inspiradora para todo o Cabo Verde”, vincou.

O porta-voz sublinhou que a iniciativa “não é uma manifestação nem um protesto”, mas sim “uma mobilização cívica”, cuja meta é promover o diálogo e a coesão social.

“Não somos contra nenhum partido nem a favor de nenhum. Somos a favor da união do povo cabo-verdiano”, realçou.

Entre as propostas apresentadas pelo movimento, destaca-se a valorização do voto em branco, defendendo que, se este obtiver maioria absoluta, “a eleição deve ser repetida com novos candidatos”.

O movimento propõe igualmente que os cidadãos assumam responsabilidades comunitárias, nomeadamente, na limpeza e organização dos bairros, destacando que “há muitas soluções que a própria comunidade pode resolver sem intervenção do Estado”.

Alberto Koenig deixou ainda um agradecimento especial à classe artística, que, segundo disse, “tem aderido em peso à mobilização”, e lançou um apelo às selecções nacionais de basquetebol e de futebol para que se juntem à causa e promovam acções de união nacional.

“Di Povo Pa Povo veio para ficar. Este é apenas o primeiro passo de um processo que pretende despertar a consciência cívica e promover o diálogo entre os cabo-verdianos”, concluiu o porta-voz, apelando à participação de todos.

Alberto Koenig alerta que, se o povo não agir agora, Cabo Verde pode vir a enfrentar tensões como as que se registam em países como Nepal, Madagáscar, Timor ou França onde protestos já atingiram níveis de ruptura e violência.

 

A Semana com Inforpress

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