terça-feira, 16 junho 2026

A ATUALIDADE

Presidente do IPC alerta para vulnerabilidade do património subaquático a roubo e pilhagem

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A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, alertou hoje para a vulnerabilidade do património arqueológico subaquático de Cabo Verde, defendendo o reforço das capacidades nacionais para garantir a sua protecção contra roubos e pilhagens.

Em declarações à imprensa, à margem de um curso de Arqueologia Subaquática na cidade da Praia, Ana Baessa sublinhou que os riscos enfrentados pelo país são semelhantes aos de outras nações, devido à acção de "caçadores de tesouro" que procuram explorar ilegalmente bens de elevado valor histórico e cultural.

“A questão da pilhagem e do roubo não é uma realidade exclusiva de Cabo Verde. Em 2023 participamos num programa de cooperação na Macaronésia, com Açores, Canárias, Madeira, Lanzarote e Senegal, e pudemos confirmar que estamos perante os mesmos desafios, ainda que em diferentes escalas”, referiu.

A dimensão marítima do arquipélago dificulta a fiscalização, mas a presidente do IPC adiantou que o país está a trabalhar na aprovação de um regulamento específico para a protecção do património subaquático, que inclui também normas sobre turismo náutico, educação e sensibilização.

Apesar dos desafios, Ana Baessa destacou os progressos já alcançados, revelando que, desde 2019, foram catalogados e georreferenciados 132 naufrágios, de um universo estimado em mais de três centenas.

Este trabalho, segundo a responsável, "precisa ser continuado" para assegurar que o património "possa servir às futuras gerações".

Recordou, igualmente, a criação, em 2019, da Comissão Nacional do Património Subaquático e a parceria com entidades como a Polícia Marítima e a Guarda Costeira, consideradas fundamentais para a fiscalização.

Segundo Ana Baessa os progressos resultam de projectos de cooperação internacional, mas também de acções de formação e sensibilização que o país tem vindo a implementar de forma contínua.

O IPC, em parceria com a Cooperação Espanhola (AECID), promove de hoje a sexta-feira, 29, na cidade da Praia, um ciclo de formações em Arqueologia Subaquática e Acessibilidade em Museus no âmbito do Programa ACERCA.

As formações pretendem reforçar as competências técnicas para o registo e preservação de bens patrimoniais submersos, bem como introduzir estratégias que garantam a adaptação dos museus nacionais a padrões internacionais de inclusão e participação cultural.

 

A Semana com Inforpress

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