O ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, negou esta quinta-feira, durante o debate sobre o Estado da Nação, que falta reagentes e medicamentos neste momento no Hospital Agostinho Neto, assegurando à população que a situação está regularizada.
Esta reação surgiu na sequência das declarações da deputada nacional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada que criticou a falta de resposta no sistema nacional da saúde.
Na ocasião a parlamentar questionou de entre outras, a demora para se conseguir fazer exames, sobretudo, Tomografia Computorizada (TAC), para consultas, assim como falta de reagentes e medicamentos no Hospital Universitário Agostinho Neto.
Em resposta o ministro que tutela a pasta da Saúde, Jorge Figueiredo, afirmou que a saúde é avaliada “fundamentalmente” através de variáveis e da vontade que o Governo tem em solucionar os problemas que vão aparecendo.
“Fazer uma comparação entre aquilo que é o sistema de saúde de há 10 anos e agora, qualquer semelhança é pura coincidência”, afirmou o ministro, que esclareceu que neste momento o país tem dez aparelhos de TAC distribuídos em algumas ilhas como Sal, Praia, São Vicente e Fogo.
Sobre a indisponibilidade de reagentes e medicamentos lembrou que se trata de produtos oriundos do mercado internacional “extremamente complexo”, daí que admitiu que falhas podem ocorrer.
Apesar desta complexidade, realçou os esforços da Emprofac de poder manter o país equilibrado deste ponto de vista, frisando que situações semelhantes podem ser encontradas em países como Estados Unidos e Portugal.
Assegurou, entretanto, que o Governo está comprometido em buscar soluções sempre, reforçando que neste momento não há falta de reagentes nem de medicamentos no Hospital Universitário Agostinho Neto.
A Semana com Inforpress







Estado da Nação ou Estado da Negação?
É mesmo de bradar aos céus. Enquanto o país afunda-se em problemas estruturais gravíssimos — falência do sistema de saúde primário, fuga de profissionais, caos nos serviços hospitalares, má gestão crónica de recursos — os senhores que deviam estar a liderar reformas de fundo entretêm-se com teatrinhos de micro-gestão. Quer dizer… temos o Ministro da Saúde a responder publicamente se há ou não há reagentes no HUAN, como se isso fosse o grande debate da política de saúde nacional. Mas está tudo doido?Isto é o retrato perfeito do vazio de estratégia: em vez de se discutir a reforma do financiamento hospitalar, a integração dos cuidados, o papel da medicina comunitária ou o digital no sector da saúde — está-se a medir seringa por seringa. E claro, sempre na defensiva, sempre a dizer que “não faltam medicamentos”, quando toda a gente no terreno diz o contrário.
O mais triste? Esta encenação serve só para desviar atenções. Enquanto o povo está a morrer à espera duma consulta, os responsáveis continuam a negar a realidade e a dar entrevistas de damage control. É o Estado da Nação em modo negacionista: fingir que tudo vai bem porque dá muito trabalho admitir o contrário e fazer alguma coisa.
Morte do estado de direito
Em CV o chamado estado de direito não existe. É só fantochada. Senhores da lei, metam a viola no saco e procurem dar música noutras latitudes. Se não zarparem pelos próprios pés, em 2026 serão varridos pelo povo.Terms & Conditions
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