sexta-feira, 12 junho 2026

A ATUALIDADE

Cientistas espanhóis criam método que remove poluentes da água com nanopartículas

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Uma equipa do Instituto de Ciências dos Materiais de Madrid (ICMM-CSIC) desenvolveu um método de descontaminação da água baseado na utilização de nanopartículas que adsorvem os poluentes e que os recuperam após o processo.

“A presença de poluentes em meios aquosos é um problema que a sociedade e a indústria têm de resolver atualmente”, afirmou Javier Pérez-Carvajal, investigador do ICMM-CSIC e um dos criadores desta nova fórmula, segundo o CSIC num comunicado de imprensa.

Atualmente, são utilizados diferentes métodos para descontaminar a água utilizando nanopartículas e, nestes processos, a remoção ou recuperação das partículas é fundamental para evitar a sua libertação no ambiente, mas o seu tamanho nanométrico dificulta a sua fácil sedimentação para serem recuperadas ou retidas pelos processos convencionais.

O processo de adsorção consiste na fixação de moléculas de um fluido (o adsorvido) a uma superfície sólida (o adsorvente).

“Os métodos utilizados envolvem processos de recuperação ou filtração em que o custo é tanto maior quanto menor for o tamanho do poluente”, explicou Pilar Aranda, investigadora do ICMM-CSIC e criadora do novo método.

A solução da equipa consiste na utilização de nanopartículas e microcristalinas de uma rede “MOF” (acrónimo de um tipo de material que combina moléculas orgânicas com átomos metálicos) com muitos poros de alguns nanómetros (um milionésimo de milímetro), que retêm os poluentes orgânicos na água.

“Estas partículas interagem umas com as outras e formam micro objetos que tendem a flutuar à superfície da água, o que facilita a sua remoção depois de terem cumprido a sua função”, explicou Pérez-Carvajal.

Por outro lado, os métodos tradicionais utilizam propriedades físicas para separar as nanopartículas da água, como a centrifugação, que utiliza a força centrífuga para acelerar a sedimentação, ou a ultrafiltração, em que a água é bombeada através das membranas que retêm as nanopartículas, que são maiores do que o tamanho dos poros das películas, mas nestes casos é necessária uma fonte externa de energia.

“Tradicionalmente, as nanopartículas requerem muita energia para a sua recuperação do meio, pelo que, embora sejam muito eficientes na remoção de poluentes orgânicos, a sua remoção pode ser um problema ou exigir a utilização de processos demasiado dispendiosos”, descreveu Aranda.

Este novo desenvolvimento é sustentável porque “reduz o custo de recuperação dos adsorventes de micro e nanopartículas ao não requerer a utilização de sistemas de centrifugação ou outros métodos comuns, e também evita a formação de lamas”, acrescentou o investigador.

O ICMM-CSIC informou que se trata de uma tecnologia cuja patente de prioridade europeia já foi aprovada e que está disponível para demonstração em laboratório.

 

A Semana com Lusa

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